A pesquisadora Elsa B. Kania, de Harvard, publicou no seu Twitter uma série (a famosa thread) sobre o Google e as instituições de ensino da China. A discussão surgiu após a fala de um general estadunidense de alto escalão, afirmando que o Google estaria auxiliando indiretamente as Forças Armadas chinesas. Kania argumenta não ser possível afirmar isso, mas que existe clareza sobre a parceria do Google com as Universidades de Tsinghua e Fudan na área de Inteligência Artificial. Ambas atuam de forma relevante no desenvolvimento das relações civis-militares através da pesquisa acadêmica. Este tipo de parceria é bastante comum em diversas nações, notoriamente nos Estados Unidos.


Estacionamento gratuito, facilidades para conseguir um registro domiciliar (o famoso 户口 — hukou) e incentivos fiscais: tudo parece valer quando o desafio é reter as pessoas em cidades de médio porte. Mais de 80 cidades chinesas observaram quedas populacionais consecutivas entre os anos de 2007 e 2016. Para além de aumentar a densidade demográfica de cidades que já são grandes, o êxodo é mais um desafio para o aumento do consumo doméstico e a guinada na indústria em áreas rurais da China.


Existem 94 empresas start-ups chinesas que se tornaram unicórnios (aquelas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares): um terço do número mundial total. A primeira é a ByteDance, avaliada em 75 bilhões de dólares. Depois, seguem DiDi (no 3º lugar geral, abaixo do Uber), Bitmain Technologies (de chips para mineração de bitcoin), DJI Innovations (de drones) e Chehaoduo (vendas online), entre as top 5 chinesas.


A campanha da administração Trump para convencer países europeus a banirem a Huawei de suas redes de telecomunicação não vai bem. Na última terça-feira (19), a chanceler alemã Angela Merkel, chefe de governo da principal economia do continente, declarou que não acha justo banir uma empresa simplesmente por causa de seu país de origem. O rendimento da gigante chinesa nos dois primeiros meses deste ano — 36% maior que nos mesmos meses do ano passado — é outra evidência de que, a despeito da ofensiva de Washington, a Huawei segue em plena ascensão.

Todos os caminhos levam a Roma, ou, pelo menos, o de Xi Jinping levou. A Itália acabou entrando oficialmente na Belt and Road Initiative. É o primeiro país do G7 a fazer isso e certamente não foi sem causar certa tensão com os Estados Unidos e Bruxelas (sede da União Europeia). Será a chance de a Itália financiar projetos de infraestrutura, a exemplo da renovação e administração parcial dos portos de Genoa e Trieste, além de trocas na área de e-commerce e inovação. A Deutsche Welle publicou um vídeo que resume a discussão. Marco Polo, ao que parece, não morreu.

Aproveitando a visita diplomática, a Itália devolveu 796 relíquias chinesas que haviam sido “exportadas ilegalmente” para o país.


Após deixar a Itália, Xi viaja à França na última parte de sua visita de Estado à Europa. Em Paris, o presidente chinês reúne-se com Emmanuel Macron para celebrar os 55 anos de relações diplomáticas oficiais entre os países. O clima na capital francesa, porém, talvez não seja dos mais amistosos. Em declaração na última semana em Bruxelas, Macron afirmou que há muito o que a França pode fazer junto à China em termos de multilateralismo e proteção ambiental, por exemplo, mas que também é preciso defender os interesses europeus. “A verdade é que o mundo mudou muito e a China já não é mais o país que costumava ser, estamos agora lidando com um parceiro muito grande”, completou.


Tudo estava preparado para que a cidade de Chengdu, no sudoeste da China, sediasse um encontro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no próximo fim de semana. O cenário mudou radicalmente, porém, após um apoiador de Juan Guaidó, e não Nicolás Maduro, ser designado ao assento venezuelano da instituição — que, por sinal, é sediada em Washington. Pequim, que tem interesses econômicos vitais na Venezuela e prefere manter-se relativamente neutra na crise enfrentada pelo país sul-americano, decidiu não permitir a entrada do enviado de Guaidó no país e o evento, por conseguinte, precisou ser cancelado. Em resposta, o BID anunciou que deve, nos próximos 30 dias, anunciar novos local e data para a reunião.

Apenas 3 anos depois da explosão de Tianjin, que matou 173 pessoas, uma nova explosão ocorreu numa fábrica de produtos químicos na China. Desta vez, foi em Yenchang, também não muito longe de Pequim. O número de mortos já ultrapassa 60, e cerca de 30 pessoas ainda estão desaparecidas. O evento espalhou uma onda de discussão sobre a regulamentação da indústria, ecoando discussões parecidas com as que ocorreram no Brasil após os desastres de Mariana e Brumadinho. Diversos cidadãos também estão doando sangue e oferecendo apoio civil.


E se, além de ajudar a encontrar a sua alma gêmea, houvesse um aplicativo que também auxiliasse na busca por uma “barriga de aluguel”? É o que está acontecendo com o Blued, um app voltado à comunidade LGBT na China. Visto que a prática é proibida no país, o Blued conecta pessoas interessadas em ter um filho com barrigas de aluguel disponíveis nos Estados Unidos, onde esse procedimento é permitido. Um mercado que parece ter alta demanda, apesar dos desafios.


A idade avançada do atual Dalai Lama tem preocupado o governo chinês e os seguidores do budismo tibetano. O motivo? A escolha de seu sucessor tem potencial para causar protestos violentos no Tibete e, em um pior cenário, até mesmo um impasse diplomático com a Índia. As principais variáveis — que vão desde quem escolherá o sucessor até a forma pela qual ele será escolhido — navegam em águas turbulentas. De acordo com a tradição budista tibetana, a passagem ocorre pela reencarnação do Dalai Lama em uma criança reconhecida como a antiga santidade por mestres tibetanos, mediante alguns sinais de comportamento de que são de fato o Dalai Lama anterior. O problema é que, da morte do antigo à escolha do novo, há um interregnum, ou um vazio de poder que, em tempos atuais, poderia ser ocupado, possivelmente, por uma santidade indicada porPequim.

Com vistas a evitar este cenário, o atual Dalai Lama sugeriu que o seu sucessor se dê por emanação ou, caso a reencarnação de fato aconteça, que ocorra fora da China — possivelmente onde ele se encontra agora, na Índia. A figura do Dalai Lama (mais do que apenas um líder espiritual) é um importante aparato político para o controle social da região autônoma do Tibete. Um líder que não seja chinês poderia representar uma afronta à soberania chinesa. Prepare um cafezinho e leia a reportagem completa aqui.


O “Netflix dos jogos” do Google, o recém-anunciado Google Stadia, deixou muitos chineses com água na boca. E parou por aí. O famoso streaming de jogos que promete revolucionar a forma como jogamos videogames não vai funcionar na China (os serviços do Google são bloqueados no Império do Meio). Em um país que possui quase 460 milhões de usuários de jogos online e no qual já se veem os primeiros sinais de existência da internet 5G, este parece ser um mercado difícil de ignorar. E não será: a Tencent, uma das maiores empresas de tecnologia da China, já entrou em cena para ocupar o espaço da gigante estadunidense.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Antonioni na China: convidado pelo primeiro-ministro  Zhou Enlai, o premiado cineasta italiano, Michelangelo Antonioni, viajou à República Popular da China, em 1972, para fazer um documentário. Notório comunista, Antonioni acabou sendo proibido de exibir o filme Chung Kuo, Cina sob pressão da Sra. Mao, a poderosa Jiang Qing. Foi liberado no país apenas em 2004. Um documentário chamado Seeking Chung Kuo busca contar a história por trás desse projeto. O filme original está disponível no YouTube.

Fotografia: vale conferir o trabalho de Liu Yuyang que retrata, desde 2015, as mudanças pelas quais Xinjiang tem passado, devido ao aumento dos investimentos em infraestrutura do governo chinês.

O segredo da longevidade: todos os anos, milhões de turistas visitam Bama, no sul da China, na esperança de desvendar o segredo da região que tem, em média, 5 vezes mais pessoas acima dos 100 anos do que qualquer outra parte do país. Quer dar um passeio por lá também sem sair de casa? A Al Jazeera ajuda.

Hoje é dia de rock, bebê: de pós-rock instrumental, na verdade. A banda Tree Phoning, de Hong Kong, é viagem certa.

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