Já falamos da edição da revista Logic sobre a China. Uma das matérias trata do sistema de crédito social que vem sendo amplamente debatido na mídia ocidental (cheio de comparações com o seriado Black Mirror). A realidade, como sempre, é mais complexa. O sistema não é aglomerado numa base única e sua lógica consiste em criar mais confiança entre pessoas, empresas e instituições. O texto de Shazeda Ahmed explica melhor a criação de listas sujas, comportamentos exemplares e os modelos já existentes nos Estados Unidos.


Notícia ruim para Jeff Bezos, mas ótima para Jack Ma: a Amazon acaba de anunciar que reduzirá significativamente sua atividade no Império do Meio, limitando-se à comercialização de produtos importados e a serviços de computação nas nuvens no país. No mercado chinês desde 2004 e dominando apenas 1% de seu setor de comércio eletrônico em 2018, a gigante estadunidense sempre enfrentou expressiva dificuldade em se expandir na nação asiática.


Terry Gou, fundador da Foxconn e terceiro homem mais rico de Taiwan, anunciou nessa semana que pretende concorrer ao governo da ilha nas eleições de 2020. Com discurso centrado nas ideias de “paz, estabilidade, economia e futuro”, o bilionário lançou-se à corrida cujo resultado deve, em grande medida, definir o futuro das relações de Taipei com Pequim. Enquanto a atual líder taiwanesa Tsai Ing-wen mantém-se notoriamente cética quanto ao diálogo com a China continental, Gou já se comprometeu a tomar as iniciativas necessárias para melhorar os laços com o Partido Comunista Chinês.

Negociadores chineses e estadunidenses devem se reunir em maio para mais uma vez discutir possíveis soluções à guerra comercial entre os dois países. No início deste mês, Donald Trump declarou esperar que um acordo comercial pondo fim ao conflito seja concluído em questão de semanas. Se o presidente estadunidense estiver correto, o novo encontro, que deve ocorrer em Pequim, pode ser decisivo quanto à definição dos termos do desfecho das hostilidades comerciais entre os dois países. Analista, porém, recomendam cautela, declarando que ainda não há previsão de construção de um consenso quanto à superação dos problemas sistêmicos por trás do conflito.


Acontece nesta semana a segunda edição do China’s Belt and Road Forum (com a cômica sigla BARF)que reunirá mais de 35 Chefes de Estado participantes da iniciativa, além de Christine Lagarde, diretora do FMI, Antonio Guterres, secretário-geral da ONU e representantes dos Estados Unidos e Coreia do Norte.

A presença de países africanos no BARF foi defendida pelo Ministério das Relações Exteriores da China em meio às constantes críticas de que a presença chinesa no continente é um grande problema (“mais países deveriam realmente se importar com a África”). Para além da iniciativa, os investimentos e empréstimos no continente na área de infraestrutura são importantes. Uma nova análise da International Energy Agency (IEA) fala um pouco disso na área de energia na África Sub-Saariana, em comparação a um relatório de 2016. As empresas chinesas (normalmente estatais) fornecem a estrutura para a construção, como com maquinário e engenheiros, e os países escolhem e premiam os projetos.

Além disso, uma nova série de análises da Universidade Johns Hopkins vai estudar o impacto dos empréstimos chineses no continente africano na área de segurança doméstica e militar, usando dados da base do China-Africa Research Initiative. O primeiro texto já está no ar e aponta que, a partir de 2003, os contratos concretizados foram de quase 60% na área militar, com o China Eximbank sendo o principal agente de empréstimos (mais de 2 bilhões de dólares). No geral, porém, a quantidade de empréstimos nesse setor foi de apenas 2% do total do que a China empresta para a África.


A CIA, principal agência de inteligência estadunidense, divulgou um relatório em que acusa a Huawei de receber fundos da Comissão de Segurança Nacional, do Exército  Popular de Libertação e de outro órgão do aparato de inteligência chinês para fins de financiamento próprio. A denúncia, que cita fonte anônima, corrobora com as suspeitas de que a empresa atua como agente do governo central da China pelo mundo. Em resposta concedida ao The Sunday Times, um representante da Huawei repudiou as acusações, classificando-as como agressões sem quaisquer fundamentos ou evidências.

O incêndio da Catedral de Notre-Dame de Paris desencadeou sentimentos mistos na internet chinesa. Se, por um lado, milhões de pessoas lamentaram o acidente e postaram fotos em frente ao monumento com #巴黎圣母院 (Catedral de Notre-Dame) — há quem tenha comparado o fato com a destruição do Yuan Ming Yuan (圆明园) o Palácio de Verão, pelos britânicos e franceses há 159 anos. “Comparado ao Yuan Ming Yuan, Notre-Dame é só um quintal”, “Nada a lamentar, estou feliz vendo a Notre-Dame pegar fogo”, e muito mais.

Em 1860, durante a Segunda Guerra do Ópio, tropas franco-britânicas atearam fogo ao Palácio de Verão no período em que invadiram Pequim em represália aos termos dos Tratados de Nanjing. O Palácio ficou em chamas por três dias e até hoje é usado como símbolo máximo dos cem anos de humilhação nacional (1839-1949). É possível visitar as ruínas do palácio até hoje. O século de humilhação é um elemento fundamental da construção da identidade chinesa e com frequência é retomado por lideranças políticas na atualidade.


Em outra edição, já falamos sobre a urbanização chinesa e os “superblocos” residenciais. A autora daquela matéria, Lauren Teixeira, escreveu agora sobre o modelo arquitetônico clássico que favorece espaços fechados, em vez de abertos – como no caso dos pátios fechados cercados por casas. Descubra mais sobre o fang, lilong e o danwei e como isso afeta a vida comunal.


Muito se fala dos trens bala chineses, mas quão sustentáveis eles são? Trens são um transporte com uma pegada de carbono menor. Ou seja, são realmente vistos como parte de um futuro mais verde. Só que poucos pensam sobre os danos ao meio ambiente causados pela construção de ferrovias. Um novo estudo da Academia Chinesa de Ciências investigou essa questão e descobriu que os trens da China têm pegada de carbono por vezes maior do que outros países, devido ao uso de carvão necessário para gerar energia e assim fazer as obras de infraestrutura (30% das emissões) e a movimentação dos trens (70%). Boa parte dos chineses trocou o meio aéreo pelo ferroviário, mas o sistema de trens ainda tem uma densidade baixa de passageiros para o seu tamanho. E as obras continuam. Qual vai ser o impacto de manter esse ritmo com uma economia em desaceleração?


Migração interna na China é complicada. O sistema de permissão de residência (o hukou) limita quem pode morar, trabalhar e ter acesso aos serviços públicos de uma cidade. Cidades maiores e com mais oportunidades de emprego, como Pequim e Xangai, são disputadas, e os migrantes que vêm do interior enfrentam constantes problemas com a lei. Agora, uma mudança positiva vai fazer com que cidades de 3 a 5 milhões de habitantes facilitem o recebimento de migrantes, e cidades com 1 a 3 milhões deverão remover todas as restrições.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Made in China com orgulho: descubra os designers chineses que estão tentando mudar os estereótipos do país no mundo da moda. De fábrica do mundo para coleções que fazem ricas referências à cultura milenar chinesa.

Fotografia: Aming Lee passou os últimos quatro anos fotografando e trabalhando com imigrantes do Sudeste Asiático envolvidos com a pesca oceânica em Taiwan. O livro fotográfico There Is No God Here é uma etnografia imperdível.

Literatura: no recém-lançado Under Red Skies: Three Generations of Life, Loss and Hope in China, Karoline Kan constrói um relato pessoal e comovente da história de três gerações de sua família. Em entrevista à Caixin, a jovem escritora fala das inspirações e motivações por trás da obra. Confira.

Para ouvir tomando aquele cafezinho: Sinica Podcast fez um episódio especial com o lendário comediante Dashan e o linguista e vice-reitor da Yenching Academy da Universidade de Pequim, David Moser. Os dois discutem as origens culturais da fama da língua chinesa ser tão difícil e dicas para aprendê-la. Vale ouvir para comemorar o dia 20 de abril, estabelecido como o Dia da Língua Chinesa.

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