Segundo a consultora JLL, Pequim é a quarta cidade mais inovadora no mundo (o primeiro lugar ficou com São Francisco). A capital chinesa é o berço do maior número de unicórnios (startups de capital privado avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares) fora do Vale do Silício. Xangai e Shenzhen também aparecem na lista (11° e 15° lugares respectivamente). Os indicadores do ranking medem investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), nível educacional da população, e investimento externo direto em empresas de alta tecnologia.


A Semiconductor Manufacturing International Corp (SMIC), maior fabricante de chips da China, anunciou que pretende se retirar da bolsa de valores Nasdaq, em Nova Iorque. Em comunicado oficial, a empresa alega que a decisão se deve a volumes de negociação limitados, além de encargos e custos administrativos significativos derivados da presença no mercado financeiro estadunidense. Em tempos de guerra comercial, porém, não é difícil imaginar que a decisão também leve em consideração as crescentes hostilidades entre Pequim e Washington, especialmente na área de alta tecnologia.

Quer entender um pouco mais sobre como a BRI tem mudado o panorama geopolíticona Ásia, mas não sabe bem por onde começar? O Sri Lanka é um bom estudo de caso, e não só por causa do Porto de Hambantota ou do projeto de Port City Colombo. Recentemente, os governos do Japão e da Índia assinaram um acordo com o governo srilankês para expandir a capacidade do Porto de Colombo, um dos principais da região e ponto estratégico para rotas marítimas do Oceano Índico.

Falando em Belt and Road, o Center for Global Development (CGD) publicou um policy paper sobre o modelo de financiamento da ferrovia Kunming (China)-Vientiane (Laos). A ferrovia é parte do projeto de outra, pan-asiática (que iria até Singapura), além de se configurar como um dos principais investimentos da BRI. O paper analisa o financiamento do ponto de vista das implicações econômicas, força de trabalho, e proteção ambiental e social. A conclusão é que há um desequilíbrio cujo resultado pode ser prejudicial ao Laos e a futuros projetos na região.

Por fim, a pesquisadora e professora Yuen Yuen Ang (da qual somos entusiastas) publicou um texto na Foreign Affairs sobre as dificuldades de se definir o que é a BRI, até mesmo em Pequim.


E a guerra comercial?

Huawei e Google: o podcast China Tech Talk explicou o assunto. O que vem por aí? Um sistema operacional próprio da Huawei, muito estresse, e todo mundo concordando que um passo muito importante foi dado para uma guerra tecnológica entre as duas grandes potências. O CEO da empresa, Ren Zhengfei, deu uma entrevista à CCTV e falou sobre não incentivar o nacionalismo, já possuir planos prévios de contingência, além de mostrar como a questão do 5G não é afetada por esse rolê. Mas a batalha pelo 5G ainda vai longe e muito além da Huawei.

Respostas: e será que pode rolar um backlash contra a outra gigante de tecnologia estadunidense que tem vínculos fortes com a China? É possível que a Apple também  perca nisso tudo, já que partes dos componentes físicos dos seus aparelhos são produzidas por empresas chinesas. Além disso, especula-se que a China poderia barganhar sua reserva de terras raras (minerais utilizados na produção de itens de alta tecnologia, como chips e turbinas). A RPC possui 90% das reservas mundiais e o próximo movimento no intricado jogo da guerra comercial poderia vir da tarifação (ou mesmo suspensão) de exportações de terras raras para os Estados Unidos. A suspeita ocorre devido a uma recente visita de Xi Jinping a um dos principais centros de mineração e processamento de terras raras do país, em Guangzhou. Na ocasião, houve um discurso do próprio presidente rememorando questões da Longa Marcha. Se concretizada, a ideia pode ser, no entanto, um verdadeiro tiro no pé.

Questão de soberania: dentre as exigências estadunidenses para chegar a um acordo que ponha fim às hostilidades comerciais entre Washington e Pequim, está a demanda de que a China limite o desenvolvimento de suas empresas estatais. Para os chineses, porém, tal condição representa uma violação à autonomia básica do país em definir seu próprio modelo de administração econômica e de desenvolvimento. Em comentário sobre o assunto, a agência Xinhua resumiu o desconforto chinês com as condições propostas pelos estadunidenses, acusando os EUA de embarcar em uma campanha de chantagem e difamação para forçar a China a aceitar suas reivindicações.

Engajamento popular: acabou-se o tempo em que o conflito limitava-se às rodas de negociações da alta política. Quanto mais a guerra comercial sino-estadunidense avança, mais apelo ganha junto às massas dos dois países. Na China, por exemplo, uma música patriótica exaltando a força chinesa frente às ditas provocações de Washington viralizounas redes sociais na última semana. Para Zhao Liangtian, compositor da canção, a mensagem é a de que a China quer construir boas relações com os Estados Unidos, mas que a população do país se levantou e não aceitará a imposição de tratados desiguais.

O MMA (Mixed Martial Arts) já conquistou boa parte do mundo. Na China, porém, o avanço do estilo, composto, entre outros, por elementos do jiu-jitsu brasileiro, do krav maga israelense e do kickboxing tailandês, esbarra na prática de artes marciais milenares como o kung fu e o tai chi. Até agora, o apego aos costumes faz com que a batalha cultural entre as práticas penda para o lado da tradição. Porém, com lutadores chineses de MMA sendo capazes de derrotar seguidamente grandes mestres de artes marciais tradicionais em batalha (em alguns casos, as lutas sequer duram segundos), fica a dúvida de até quando a China conseguirá resistir à ascensão da modernidade nos seus ringues.


Uma das imagens mais impressionantes da semana vem da cidade de Yining, no noroeste da China. Enquanto Tonik Turghanbek estacionava seu carro, o homem de 28 anos de idade percebeu uma criança de apenas 5 anos despencando do quinto andar de um prédio à sua frente. Imediatamente, Tonik saiu de seu carro e estendeu seus braços para impedir que a queda fosse fatal. Apesar do impacto, ambos passam bem: a criança já está com sua família e Tonik, por sua vez, se tornou o herói chinês do momento.


Uma iniciativa que promete cobrir tratamentos de doenças que estariam fora da cobertura da maioria dos planos de saúde, como Alzheimer, câncer e até Ebola? E mais: por menos de 5 reais por mês. O que pode parecer um milagre, trata-se em realidade do Xiang Hu Bao — um serviço criado por Jack Ma e que já atende mais de 65 milhões de pessoas no país, com perspectiva de alcançar 300 milhões de cidadãos em dois anos. Diferentemente de um plano de saúde tradicional, o Xiang Hu Bao funciona como um sistema de contribuição voluntária em que os membros ajudam a pagar as despesas médicas uns dos outros. O app tem imenso potencial de expandir o acesso a serviços de saúde, principalmente na China rural, onde a lentidão do sistema de reembolso de contas médicas ainda é um desafio.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Série: a Quartz publicou uma série chamada Because China, que investiga como a China está mudando o mundo. Infelizmente, é apenas para assinantes, mas você pode ver um preview do primeiro episódio, sobre reciclagem. Os temas falam de carros elétricos, universidades, música, internet. Até agora, foram lançados 6 episódios.

Overdose hipsterque tal começar a semana por dentro da cultura urbana de grafites de Hong Kong e de bike fixa? Para conferir, coloque seu fone e ouça a banda taiwanesaXICO e Dizparity.

Literatura online: você já ouviu falar do site Jinjiang? É um portal (em mandarim) de literatura que funciona como espaço para publicações online. Vários textos de lá deram origem a seriados, principalmente romances históricos. Porém, o site caiu na mãos das autoridades, que estão investigando a existência de pornografia, já que muitos textos incluem cenas sensuais.

Errata: falamos na outra edição sobre a lei antiaborto no Alabama. Escrevemos que a lei “permite aborto em caso de estupro” quando na realidade ela proíbe aborto em caso de estupro.

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