A era do tradicional live streaming, em que pessoas eram vistas dançando, cantando ou fazendo coisas engraçadas, parece já estar ficando no passado chinês. De acordo com a consultoria iResearch, o live streaming como o conhecemos está dando cada vez mais lugar ao multibilionário e-commerce live streaming – em que gigantes como Jing Dong (JD.com) e Taobao fazem uso de influenciadores para vender produtos com descontos que variam de 30% a 60%. Estima-se que, só em 2018, quase 15 milhões de dólares em venda no Taobao, do total de quase 15 bilhões, tenham sido gerados diretamente pela atuação de 81 live influencers na plataforma. Vale ficar de olho nessa nova tendência no Império do Meio.


Um terremoto atingiu Sichuan na semana passada, alcançando o nível 6,0 na escala Richter e deixando 13 mortos. O acontecimento acendeu uma discussão online no país sobre fracking – processo de extração de gases e líquidos do subsolo. É uma técnica controversa em diversos países, pois alguns especialistas afirmam que pode causar tremores no terreno. Não é diferente na China, onde já ocorreram protestos contra o método devido a terremotos ligados a essa extração. Contudo, a necessidade energética do país está crescendo e exigindo alternativas ao uso do carvão – altamente poluente –, de forma que o fracking acaba aparecendo como solução.

Outra discussão que surgiu também a partir disso foi o uso de sistemas de aviso prévio. Trata-se de parte de uma conscientização crescente da população sobre essas emergências e desastres – e também de uma indústria nascente que percebe espaço para atuar.


Geograficamente, a China pode ser dividida em duas, com a cadeia de montanhas Qinling e o rio Huai segmentando o país em Norte e Sul. Com o tempo, porém, a diferença entre as duas regiões – já separadas por discrepâncias históricas e de hábitos sociais – tomou dimensões econômicas importantes. Hoje, o Sul chinês concentra os portos mais movimentados do país e seus principais centros de inovação. Já o Norte, outrora pujante por sua indústria de base, vem decaindo em relevância no cenário nacional. A China meridional, por conseguinte, tem se tornado, em movimento contrário à porção setentrional do Império do Meio, cada vez mais atraente à mão-de-obra qualificada e aos investimentos domésticos e internacionais. Em uma nação já marcada por crescentes desigualdades de diversas ordens, uma bifurcação regional desse nível não surpreende, mas preocupa.

Já existe muita discussão por aí sobre como a China está ganhando mais espaço no multilateralismo, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos se retraem. A RPC abraçou o protagonismo, conforme Xi Jinping expôs no seu famoso discurso em Davos, em 2017 (logo após a eleição de Trump), tendo sido discutido mais recentemente  em Pequim, durante o Fórum de China e Globalização. Pois bem: agora o país conquistou a direção da FAO – a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Qu Dongyu vai substituir o brasileiro Graziano da Silva, que ficou 8 anos no mandato e lançou uma campanha de Fome Zero na organização. O Brasil, inclusive, votou pela escolha do chinês.

Outro passo importante para a atuação chinesa na governança global está em ser a anfitriã da Conferência em Biodiversidade, parte da Conferência das Partes (a COP), reunindo 200 representantes de diversos países, em Kunming, na província de Yunnan. A COP mais famosa foi aquela que rolou em Paris (2015), criando o maior acordo global para lutar contra a mudança climática. E do qual mais tarde os EUA se retiraram –, deixando a China livre para assumir a liderança. É aquele clássico: não existem vazios de poder.


Xi Jinping fez uma visita ao vizinho, Kim Jong Un, na República Popular Democrática da Coreia (mais conhecida como  Coreia do Norte). Para a surpresa dos menos atentos, é a primeira vez que um presidente chinês visita o país em 14 anos. Foi uma visita em comemoração aos 70 anos de relações diplomáticas entre as duas nações, e espera-seque seja também um aceno a Trump, que ficou (estranhamente) mais próximo de Kim Jong Un.


Você sabia que o Brasil exportava carne e pele de jumento para a China até o ano passado, sendo um negócio com potencial de chegar à casa dos bilhões de dólares? Pode parecer chocante, mas a carne de jumento é vista como uma iguaria comum no país (inclusive, um dos editores da Shūmiàn é viciado em hambúrguer de carne de jumento, acreditem). Da pele do animal, segundo a Medicina Tradicional Chinesa, podem ser obtidos inúmeros benefícios para tratamentos dermatológicos e para a fertilidade.

O jumento, no entanto, possui um valor cultural para o estado nordestino da Bahia (principal exportador), e, sem grande surpresa, a exportação foi proibida – a despeito de parcerias já criadas entre frigoríficos brasileiros e chineses para lidar especificamente com esse produto. Uma história que certamente vale ler aqui, tomando um bom cafezinho.

Como tornar favorita uma forma de pagamento para os consumidores? Na disputa entre usar o WeChat ou Alipay para pagar desde um sorvete na esquina de casa a um aluguel, a estratégia pode vir de lugares inusitados: jogos. O Alipay tem sido a plataforma mais bem sucedida nesse quesito. Com opções que variam de uma versão chinesa que se assemelha ao Fazendinha Feliz a caças ao tesouro, o Alipay consegue aumentar a taxa de uso do app, o engajamento nas redes sociais e, ainda, valorizar o Sesame Credit (o famoso crédito social) através de joguinhos que incentivam mudanças comportamentaisreais.


Já comentamos em diversas edições da Shūmiàn sobre o sistema de crédito social a ser implementado no futuro próximo na China. Um assunto tão importante e de tamanha repercussão, porém, merece sempre mais atenção. Desta vez, a estadunidense NBC aborda em vídeo os impactos dos sistemas de crédito social locais já implementados no país, sob a perspectiva tanto de chineses beneficiados pelas iniciativas, quanto daqueles que já foram, de alguma forma, punidos por elas.


Por falar em controle social, um aplicativo lançado no ano passado na província de Zhejiang, no Leste da China, permite que seus usuários notifiquem autoridades quanto a atividades ilegais ou indesejadas praticadas por outros cidadãos – como violações de trânsito, disputas domésticas e publicações irregulares. Em troca, os delatores recebem, por exemplo, cupons de desconto em cafés locais e em plataformas de pagamento eletrônico. A plataforma, porém, não se tornou o sucesso esperado. O motivo? Muitos dos habitantes locais se negam a usar o instrumento que remete a práticas de vigilância da era Mao Zedong. Protestar contra a iniciativa, porém, não parece estar em questão – muitos temem represália oficial caso expressem sua desaprovação da ferramenta.


Junho é o mês do Orgulho Gay, e no domingo rolou uma das maiores paradas LGBT+ do mundo, em São Paulo. Enquanto isso, a capital da província de Sichuan, Chengdu, virou um centro para a comunidade LGBT+ da China. Chengdu foi não apenas votada a capital gay da RPC, mas também virou um exemplo de economia voltada ao público LGBT+: são camisetas, capas de celular, apartamentos e turismo focando no seu poder de compra. Estima-se que seja um setor da economia que movimenta, apenas na China, em torno de300 bilhões de dólares por ano. Seria a terceira maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Liu Cixin: a jornalista Jiayang Fan fez um perfil para o The New Yorker do escritor maishype do momento na ficção científica chinesa, Liu Cixin. Os dois conversaram sobre a vida dele, o papel da ficção científica na sociedade e sobre a trilogia que o levou à fama,Remembrance of Earth’s Past, a história de duas civilizações em disputa, principalmente tecnológica. Soa familiar?

O bordado é revolucionário: a sino-americana Jessica Tang quebra tantos tabus e explora tantas identidades com seus bordados que é difícil colocar tudo em uma só linha.Confira.

Veja a cidade: retratos de pessoas comuns cravados em muros abandonados pela cidade de Xangai – é uma forma de resumir o que faz o talentoso Vhils. Mas ele é mais do que isso. Assista ao curta que o artista fez em colaboração com grupo Solid Dogma para entender uma obra que, através de solidões urbanas, cria uma comunhão inesperada com quem entra em contato.

Podcast: já falamos da pesquisa feita pela maravilhosa Deborah Brautigam. Ela apresentou, ao The China in Africa Podcast, as suas conclusões sobre a ideia de que os bancos chineses criaram uma debt-trap diplomacy. No episódio de 1 hora, ela fala como não encontrou evidências de que realmente exista uma diplomacia por endividamento. Contudo, expõe suas preocupações sobre exportação de práticas de corrupção.

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