Qual será o futuro das gigantes de tecnologia da China, e como a desaceleração econômica doméstica pode atravancar sua expansão global? Essa é a pergunta chave em um recente artigo publicado na Harvard Business Review deste mês. Fazendo comparações históricas com a ascensão econômica japonesa do fim dos anos 1990, Black e Morrison destacam três grandes desafios que as grandes empresas chinesas vão sofrer nos próximos anos, e que muito se assemelham aos obstáculos que o vizinho nipônico sofreu há algumas décadas: crise demográfica (envelhecimento da população e baixa migração do campo para a cidade); crise de produtividade e endividamento; e crise de liderança nas maiores empresas estatais. Acompanhe aqui a pesquisa completa.


O crescimento da indústria de aviação na China é uma história de sucesso. Nos últimos anos, a mudança se tornou visível para o viajante estrangeiro, mas também internamente. Cerca de 500 milhões de passageiros por ano se deslocam pelos aeroportos chineses. Guardadas as proporções, são cerca de 100 milhões no Brasil e nos EUA foram 840 milhões no último ano. O incrível é que a China atingiu esse número em menos de uma década: em 2010, eram menos de 65 milhões de passageiros (nos EUA eram 600 milhões). O pessoal do China Power fez uma matéria, com gráfico interativo, sobre a questão, mostrando a expansão das empresas e das rotas, a sua relação com o crescimento da classe média e ascensão econômica no país, bem como o papel da indústria de aviação doméstica no desenvolvimento nacional. O processo de mudança começou nos anos 80, com a quebra da CAAC — uma estatal que detinha o monopólio do mercado — em diversas pequenas estatais. O capital privado entrou em cena apenas em meados dos anos 2000. Hoje, existem 58 empresas operando no país. Dentro de 15 anos, o número de passageiros voando na China deve ultrapassar o dos Estados Unidos.


crise do porco na China, provocada por uma onda de febre suína que devastou ⅓ do rebanho do animal no país, não dá quaisquer sinais de abrandamento. Pelo contrário, as coisas parecem piorar: após meses de escassez, o Império do Meio se vê agora forçado a começar a consumir suas reservas de carne de porco congelada de modo a garantir a estabilidade dos preços e disponibilidade do produto em seu mercado doméstico. Suínos são um componente essencial da culinária chinesa e, em meio a receios quanto aos impactos sociais de uma eventual queda na oferta do alimento no gigante asiático, o próprio governo central em Pequim admitiu problemas tanto na criação e no abate do animal quanto na contenção da atual crise.

Por que a industrialização da África não vai ser como a da China? Muitos governos no continente africano se inspiraram nas políticas chinesas para imitar o desenvolvimento chinês. Enquanto muitos líderes africanos esperam que a industrialização e o enriquecimento da China empurrem a produção manufatureira para a África, já que haveria aumento do custo da mão de obra no país asiático, na verdade, esse trabalho pode acabar indo para os robôs, com o uso da Inteligência Artificial. A análise apareceu na Harvard Business Review. Nos últimos anos, especialmente durante o otimismo do boom das commodities nos anos 2000, a narrativa de que a África se tornaria a próxima “fábrica do mundo” ganhou popularidade e a presença chinesa crescente no continente incentivou essas esperanças. Vai ser possível manter essa direção com todas as rápidas mudanças da 4a Revolução Industrial?


Desde que a Índia revogou o artigo 37 de sua Constituição, a balança de poder na Caxemira tem chamado cada vez mais a atenção de Pequim. Isso é devido, principalmente, aos volumosos investimentos destinados ao Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC, em inglês), e seu caráter estratégico para o Império do Meio em exportações de bens e investimentos para o Oriente Médio e África na grande arquitetura do BRI. A China não parece ter outra alternativa viável ao corredor, visto que a segunda opção (Afeganistão) é geopoliticamente delicada e instável internamente. Pressionar a Índia também não é uma alternativa, dado seu poderio nuclear e as regiões em disputa nas fronteiras. Quer saber mais sobre a situação da China nesse contexto? Prepare o cafezinho e clique aqui.


Durante as últimas décadas, as potências europeias mantiveram um perfil militar relativamente discreto no Leste Asiático. Mudanças recentes na geopolítica mundial e da região parecem estar levando países como Reino Unido, França e Alemanha, porém, a uma importante reconsideração quanto a suas presenças, particularmente no mar do Sul da China. Para Frans-Paul van der Putten, pesquisador do Clingendael Institute, o cálculo é de que uma atividade maior na Ásia-Pacífico pode garantir às tradicionais forças do velho mundo mais influências em negociações internacionais, especialmente com Pequim e Washington.

Por falar em mar do Sul da China, aliás, uma nova tensão entre chineses e estadunidenses na região — uma das porções mais militarmente contenciosas do planeta — marcou a semana. Na última sexta-feira (13), a Marinha dos Estados Unidos enviou um navio de guerra para perto das ilhas Paracel/Xisha, em um claro desafio às reivindicações de soberania do Império do Meio sobre a área. Em menos de 24 horas, o Ministério de Defesa da China disse ter expulsado o destróier do país norte-americano dos entornos da ilha, classificando o avanço dos Estados Unidos como um “ato de invasão”.

Um novo relatório do Greenpeace indica que os centros de dados da China emitiram cerca de 99 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono no ano passado — o equivalente a 21 milhões de carros durante o mesmo período. Centros de dados — que são responsáveis pelo armazenamento de informações eletrônicas como mensagens, fotos e vídeos — consomem entre 3% e 5% de toda a energia gerada mundialmente e se equiparem à indústria aeronáutica em termos de emissões de carbono. Há razões, porém, para ser otimista: de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances, apesar das emissões de gases que contribuem com o efeito estufa seguirem em crescimento no país, a poluição do meio ambiente vem, em uma perspectiva geral, decaindo no Império do Meio.


Jack Ma se aposentou. A pessoa por trás do sucesso do Alibaba, a maior empresa de e-commerce da China e, sob alguns critérios, do mundo, despediu-se de seus mais de 100.000 funcionários nesta semana. Ma é um mito no país: de professor de inglês na cidade de Hangzhou, teve um insight e percebeu que a internet era a próxima fronteira econômica do mundo. E investiu. Um símbolo não só da maestria das techs da China, mas de um self-made man Made in China. De um pequeno apartamento que hoje é incubadora dos projetos mais ambiciosos da empresa, Ma deixa a companhia para se dedicar a projetos de educação pelo mundo. A despedida mais pareceu um show de rock.

Falando em Alibaba, a empresa comemorou seu aniversário de vinte anos em grande estilo. Ma é um gênio da lâmpada. Ou melhor, da garrafa.


Quer aumentar sua “noia” com tecnologia? Especialistas chineses em segurança nos deixaram com a pulga atrás da orelha após afirmarem que a crescente qualidade nas câmeras de celular permitirão identificar impressões digitais em fotos — tornando fácil o acesso para cópia e falsificação de identidade. A conversa surgiu durante um evento sobre cibersegurança em Xangai e a discussão chegou ao topo da rede social Weibo. Boa parte da discussão foi a recomendação para as pessoas pararem de fazer o sinal de paz e amor (ou “v de vitória”) com as pontas dos dedos para a câmera — que é uma pose favorita na China para fotos.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.


Podcast: escute um episódio sobre a China e os EUA na área de desenvolvimento, seu financiamento de projetos na Ásia e no mundo, principalmente com foco em redução da pobreza.

Música: prepare-se para o indie rock de Yisa Yu, um achado que promete ficar entre os favoritos da Shūmiàn.

Mais música: se você achou a nossa primeira indicação musical muito agitada, Boon Hui Lu veio para acalmar a maré alta. Aproveite.

Fotografia: conheça a série Jiangnan, um projeto fotográfico de Zhang Boyuan que reconta suas memórias de Xinjiang, sua distante terra natal.

Sim, mais fotografia: o fotojornalista vencedor do prêmio Pulitzer, Liu Heung Shing, registra em A Life in a Sea of Red — seu novo livro — imagens impressionantes da pobreza na China, durante as décadas pós-revolução, até sua ascensão a superpotência mundial. Confira.

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