Pouco mais de uma semana nos separam do aniversário de 70 anos de fundação da República Popular da China — a ser celebrado no próximo dia 1º de outubro por todo o país. Já em ritmo de exaltação nacional, o governo central chinês publicou um white paper reunindo o que são, para Pequim, as principais conquistas no campo dos direitos humanos nas sete décadas que se passaram desde a Revolução de 1949. Figuram, dentre os tópicos do documento, assuntos como melhorias na qualidade de vida dos chineses, proteção de grupos “especiais”, fortalecimento do Estado de direito e, ainda, a participação do Império do Meio em esforços de governança global e expansão internacional dos direitos humanos.


Será que a indústria de animação na China finalmente vai decolar? No China Film Insider você pode ler uma boa análise sobre o tema. Após seis semanas em cartaz, a animação Ne Zha se tornou o segundo filme com o maior faturamento nas bilheterias do país. O filme, baseado numa lenda chinesa, fala sobre um tema que ressoa com a juventude: uma criança que é dita ser um demônio luta para provar que possui livre arbítrio sobre seu destino. É raro uma animação conseguir esse feito, especialmente uma chinesa — o mercado e o público na Ásia acabam se interessando mais pelas animações japonesas. A indústria de animação chinesa tem, há alguns anos, vivido de bolhas de sucesso que acabam não atingindo as expectativas do pessoal da área. Será que agora vai?


Hong Kong chegou à décima sexta semana consecutiva de protestos nas ruas da cidade. Dessa vez, uma reunião inicialmente pacífica acabou por tomar rumos violentos, passando por confronto com policiais e levando à depredação de escadas rolantes e painéis de vidros em um shopping da região administrativa especial. Em uma imagem particularmente marcante da tarde tumultuosa, manifestantes destruíram uma bandeira da China e a jogaram em um rio próximo à localidade. Com a continuação das inquietações sociais em Hong Kong, é evidente a dúvida de por quanto tempo os protestos na cidade podem continuar. Para alguns, a resposta para essa pergunta pode estar na própria história chinesa.

Estará a China colocando uma tensão nas relações EUA-Israel? Uma empresa chinesa vai construir um porto no país, levando a preocupações estadunidenses de que irão coletar inteligência das operações e atuação dos EUA na região. Outra empresa chinesa vai também construir uma ferrovia em Tel Aviv. Além disso, a tecnologia de ponta israelense, especializada em questões de seguranças, chama atenção de chineses — e preocupa o governo de Trump. Quem está tirando o melhor da coisa toda — por enquanto — é Israel. Afinal, não é sempre que se pode barganhar com as duas maiores economias do mundo.


Falando em Oriente Médio, uma notícia recente de uma publicação britânica, Petroleum Economist, divulgou que a China iria investir astronômicos 400 bilhões de dólares no Irã até 2025. Criou-se uma polvorosa, especialmente nos EUA (inclusive saiu aqui na edição passada). Os números chamaram tanto à atenção que foi necessário checar. E, realmente, não parecem verídicos. Os investimentos totais da Belt and Road Initiative para os próximos 5 anos seriam em torno de 600 e 800 bilhões de dólares. Improvável que quase metade disso fosse para apenas um país. Aqui dá para ler toda a explicação sobre a notícia falsa.


Não tem sido uma semana fácil para Taipei. Depois de as Ilhas Salomão terem posto fim às relações diplomáticas diretas com Taiwan, agora foi a vez de Kiribati dar as costas para Tsai Ing-wen. O timing é curioso: Taiwan se recusou a prestar uma robusta assistência financeira a Kiribati para a compra de aviões comerciais, e dia 1º de outubro será celebrado, como já mencionamos, o aniversário de 70 anos da RPC. A perda das duas ilhas mais populosas do Pacífico aponta para o grande êxito de Pequim em isolar a ilha de suas ambições de independência e enfraquece Tsai Ing-wen nas futuras eleições presidenciais taiwanesas, em janeiro de 2020.

É, parece que será um pouco mais 麻烦 (mafan, problemático, inconveniente em português) conseguir uma credencial de jornalista na China para profissionais chineses. Isso se deve ao recém-anunciado requerimento de fazer uma prova sobre o “Pensamento de Xi Jinping” no aplicativo 学习强国 (Study Xi Strong Country, em inglês), um trocadilho com o nome de Xi (习) e o verbo “estudar” (学习). Dezenas de organizações midiáticas já receberam notificações a respeito e começaram a preparar grupos de estudo para tal fim. Não é a primeira vez que jornalistas chineses são obrigados a passar por provas de “comprovação de alinhamento ideológico” para com o Partido: em 2014, foi a vez de um teste sobre ideais jornalísticos marxistas.


A mais nova Campeã da Terra — a maior honraria ambiental concedida pelas Nações Unidas — é chinesa. E famosa: a Alipay Ant Forest, a iniciativa de preservação do meio ambiente criada pela gigante de pagamentos Alipay (do Alibaba). Criada em 2016, a Alipay Ant Forest incentiva hábitos sustentáveis ao dar “pontos verdes” para quem paga as contas online, pedala e usa transporte público. Dependendo da quantidade de pontos acumulados, você pode ter uma árvore virtual que é convertida em uma árvore real plantada por grupos de reflorestamento. Mais de 122 milhões de árvores já foram plantadas até hoje (e há integrantes da Shūmiàn que já contribuíram!).


Lembram-se que, no início do mês, a sonda lunar chinesa Yutu-2 se deparou com uma substância misteriosa no lado escuro da Lua? Em nova publicação, o time responsável pelo diário da sonda divulgou imagens da tal substância — que, apesar de facilmente visível, encontra-se em uma cratera de difícil acesso, complicando análises mais detalhadas. Por hora, a aposta dos pesquisadores é que o achado não seja lá dos mais interessantes, tratando-se de vidro lunar formado após o impacto de um asteroide. Quando o assunto é o espaço, porém, sempre há lugar para nossa imaginação, não é mesmo?


Uma ode ao sexo: as ilustrações de Hui Ma desafiam relações de poder marcadas pelo patriarcado e por papeis de gênero tradicionais. Seu mais novo projeto Paradise Lust é uma viagem às origens do desejo sem qualquer pudor. Confira.

Falando em papeis de gênero, os últimos três episódios do Chinese Literature Podcast tratam da masculinidade tóxica na literatura do país. O primeiro episódio fala dos clássicos e seu conteúdo de pornografia, o segundo sobre o romance de Kung Fu “Margem da Água” e o terceiro sobre o famoso (e enorme) livro pornográfico Jin Ping Mei, escrito no séc. XVI.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Mostra de Cinema China-Brasil: no Rio de Janeiro, nos dias 23, 24 e 25 de setembro. Reúne filmes chineses e brasileiros. Entrada franca.

Hoje é dia de folk, bebê: conheça a banda Heat Sketch que, com apenas um ano de existência, já tem agitado a cena indie-folk de Taipei.

…E de música eletrônica também: o pequinense Guzz vai te fazer repensar o que é música eletrônica com uma batida orgânica e onírica. Aproveite.

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