Você já ouviu falar da Anta, a marca de tênis? Apesar do nome curioso, estamos falando de uma das maiores marcas de tênis da China, com 15% do mercado interno, ficando atrás apenas das globais Nike e Adidas. Após Xi Jinping ter sido visto usando um casaco da marca, as ações da empresa cresceram 8% em apenas dois dias. Segundo o CEO da Anta, James Zheng, a marca nacional tem tudo para passar as americanas até 2025 — fruto de patrocínios pesados nas Olimpíadas de Inverno de 2022, nacionalismo diante da guerra comercial e aquisição de grifes estrangeiras, além de expansão para mercados externos.


A lista de empresas que se desculpam após ofender Pequim só aumenta. Dessa vez foi a Christian Dior, gigante francesa da moda e da beleza, que se viu compelida a se retratar após usar, durante apresentação, um mapa da China que não incluía a ilha de Taiwan como parte do país. Em mensagem no Weibo, a Dior alegou que o episódio ocorreu graças ao erro de um funcionário e assegurou que respeita a soberania e a integridade nacional chinesa. Outras empresas parecem já ter entendido o recado: em sua última produção, a DreamWorks incluiu um mapa do gigante asiático que inclui a linha dos nove traços, usada oficialmente pelo governo central chinês para reivindicar a soberania do país sobre o Mar do Sul da China. Países vizinhos, porém, não ficaram nada felizes com a decisão.


Parece que o período dramático envolvendo a Huawei está lentamente passando. A empresa deve retomar o acesso ao universo Google (Google Mobile Services), segundo o NYT. É parte do que anda sendo negociado nas conversas de alto nível (mais novidades na próxima seção). Apesar desse rolê todo, a Huawei anda bem, com o novo Mate 30, e relatos de crescimento de 24% no seu lucro no último trimestre. Mais do que o novo celular, a empresa achou sucesso na sua nova plataforma, chamada Huawei Horizon Digital Platform, cujo objetivo é atuar em diversos setores para auxiliar as suas transformações digitais — são 700 cidades usando e 228 empresas da Fortune 500 Global. 

União Europeia publicou no início deste mês um relatório sobre a expansão da rede 5G e cibersegurança no continente. Ainda que a China não tenha sido mencionada claramente no texto, ficou perceptível a preocupação e, ao mesmo tempo, falta de alinhamento do bloco sobre como lidar com a tecnologia proveniente de empresas chinesas, como Huawei e ZTE. E não foi por falta de pressão: os Estados Unidos já até ameaçaram não compartilhar informações de inteligência caso a infraestrutura 5G chinesa domine o mercado europeu. O racha não é difícil de ser entendido. Dizer não para a infraestrutura chinesa pode custar caro para países com fortes laços com Pequim, como é o caso da Alemanha — Volkswagen, Daimler e Siemens dependem fortemente do mercado chinês — e Hungria, que tem recebido cada vez mais investimentos do Império do Meio, sem contar com a Itália, o primeiro país do G7 a firmar acordos com a BRI. Além disso, é discutível quão longe vai o lobby estadunidense em Bruxelas. Para analistas de cibersegurança, a União Europeia pode estar se espelhando muito mais na Austrália do que no Tio Sam. O buraco, contudo, fica mais embaixo: quem Bruxelas realmente teme? A Huawei ou o Partido Comunista Chinês?


Estaria o governo chinês torcendo pela reeleição de Donald Trump nas eleições presidenciais estadunidenses de 2020? Talvez. Em artigo de opinião publicado na Foreign Policy, Paul Haenle e Sam Bresnick argumentam que, apesar do posicionamento duro em relação à China, a administração Trump deu ao gigante asiático o espaço que o país precisa para expandir sua influência pela Ásia. Além disso, o enfraquecimento da posição de liderança de Washington na ordem mundial — alimentado, dentre outros, pela polarização doméstica dos Estados Unidos, a retração em órgãos multilaterais e a hostilidade em várias tradicionais relações bilaterais — oferece uma oportunidade para a ascensão internacional de Pequim.


Estaria Modi replicando a estratégia chinesa em Xinjiang na Caxemira? Os dois territórios estão separados pelos Himalaias e possuem paralelos preocupantes. A Caxemira foi anexada conturbadamente à Índia em 1947 e Xinjiang à República Popular da China em 1949, quando da ocupação de tropas chinesas ao que era conhecido como Turquistão Oriental. Ambos os territórios são de maioria muçulmana em países de maioria não-muçulmana. Em 2009, Xinjiang foi palco de violentos embates entre chineses Han e Uigures que levaram ao bloqueio por 10 meses do acesso à internet na região. Na Caxemira, também houve o total bloqueio de comunicações e, da mesma forma que no território chinês, tropas militares têm revistado moradores locais sob o argumento de segurança nacional. Saiba mais aqui.

Falando em Índia e China, este mês viu o 2º Encontro Informal entre Modi e Xi, na cidade de Mamallapuram (o primeiro tinha sido em Wuhan, China). Na agenda, discussões sobre desenvolvimento, nova ordem mundial, mudanças climáticas, e questões fronteiriças. No The Diplomat, é possível ler sobre os principais resultados do Encontro.

Jack Ma, ex-CEO da gigante Alibaba e a pessoa mais rica da China, recebeu o prêmio de Life Achievement da Forbes nessa semana (16). A honraria foi entregue pelo Editor-Chefe da revista e é dedicada a pessoas que representam os ideais de empreendedorismo enaltecidos pelo periódico. Ao ter criado pontes (virtuais e físicas) entre pequenos negócios, tanto em áreas rurais quanto urbanas, e consumidores espalhados por todo o país, Ma revolucionou o e-commerce na China e criou um dos maiores conglomerados do mundo.


Em uma tradição cultural heteronormativa que toma professores como modelos morais, viver abertamente a homossexualidade implica, a educadores chineses, notáveis riscos. A luta, porém, contra a coerção sexual na academia do Império do Meio vem ganhando força. Com vistas a desconstruir as percepções negativas sobre homossexuais no gigante asiático, um número cada vez mais expressivo de professores aborda o assunto em sala de aula e em projetos de pesquisa. A luta, porém, está só começando, e muitos professores ainda escolhem a discrição. “Se você pesquisar muito sobre homossexualidade, aí você expõe sua própria orientação. Eu ainda me importo com o que pensam de mim”, declarou um pesquisador entrevistado pela Sixth Tone.


China Dialogue reporta que quase um ano depois, oito funcionários de uma empresa de produtos químicos foram condenados, após julgamento sobre a sua participação e acobertamento de um acidente de derramamento de materiais tóxicos no oceano. O derramamento na província de Fujian, tal qual o que está acontecendo no Nordeste do Brasil, atingiu comunidades ribeirinhas que dependem da pesca para sobreviver. Cerca de 8 mil pessoas foram afetadas pelo solvente C9 que vazou no dia 4 de novembro de 2018, com dezenas indo parar no hospital e o mercado consumidor evitando comprar peixes da região. O resultado foi considerado um sucesso. O governo já expressou preocupação com a regulação do setor, já que a crescente indústria química causa muitos acidentes e, por vezes, os responsáveis acabam impunes.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Vidente de Pequim: De soldado de artilharia nas tropas de Lin Biao a vidente, a vida de Mao, um pequinense de 76 anos oriundo de Anhui, com certeza daria um ótimo livro. Confira a anedota aqui.

Para ouvir antes de tirar aquela soneca: a banda Cicada volta a aparecer nas recomendações musicais da Shūmiàn. Desta vez, procure o sofá mais próximo e relaxe.

Dormitórios lotados: a fotógrafa Zhang Jiayu registrou os lotados quartos das jovens estudantes de uma das principais universidades da China, a Renmin, localizada em Pequim. Muitas vezes são seis estudantes chinesas por quarto. A jovem também reside por lá e escreveu seu relato sobre a experiência. Saudoso ensaio para alguns da equipe da Shūmiàn, que estudaram por lá.

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