Documentos vazados sobre Xinjiang estão arrebatando a internet fora da Grande Firewall. O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês) teve acesso a uma série de documentos supostamente oficiais — o governo chinês nega a sua veracidade — sobre a situação da minoria uigur na província mais ao oeste da China. A jornalista Bethany Allen-Ebrahimian apresenta na matéria um resumo do que seria um manual de segurança para operar os campos de reeducação, bem como a lógica das prisões (usando um sistema de pontos), fortemente baseada em algoritmos.


Fim da maré ruim? Pela primeira vez em sete meses, a China registrou crescimento em seu nível de atividade fabril. Os ganhos, porém, foram modestos, e a demanda internacional por exportações chinesas segue em baixa. Com a aproximação da imposição de novas tarifas comerciais por parte de Washington e o avanço lento das negociações sobre um possível acordo comercial com o estadunidenses, as expectativas do mercado seguem negativas. Vale lembrar que a China enfrenta seu pior momento de crescimento econômico em 30 anos e, com lucros industriais em queda, muitos analistas esperam que Pequim implemente planos de estímulos agressivos — mesmo que a custo da expansão de uma dívida pública já em níveis alarmantes.


Com a aproximação das novas eleições presidenciais e legislativas de Taiwan, a questão da vez na ilha é o que fazer em relação à China continental. A atual presidente Tsai Ing-wen, que recentemente classificou Pequim como “inimiga da democracia”, lidera as pesquisas eleitorais. Se reeleita, deve alimentar o distanciamento com o Partido Comunista Chinês. Han Kuo-yu, o candidato de oposição, por sua vez, clama pelo retorno ao consenso de que só há uma China. Mesmo Han, porém, rejeita a unificação sob a política do Um País, Dois Sistemas  — defendida pelo continente mas rejeitada por muitos em uma Taiwan com um senso cada vez mais forte de identidade nacional própria. O governo central chinês assiste ao desenrolar dos fatos em silêncio. A declaração de Xi Jinping em janeiro de que a China se reserva ao direito de usar a força para a alcançar a “unificação pacífica” com Taiwan, porém, segue ecoando.

Os turistas chineses são os que mais gastam no mundo. Nada surpreendente, então, que estados brasileiros estejam tentando atrair esse segmento tão promissor. É o caso do Amazonas e do Pará, que apostam que o ecoturismo na Amazônia tem tudo para fazer valer a pena um voo de 30 horas da China para o Brasil. Eles não são os únicos: com o anúncio da isenção de visto de turista para chineses feito pelo presidente Jair Bolsonaro em outubro, já há consultorias e agências de viagem trabalhando em sinergia com secretarias de turismo da região norte.

Há, no entanto, pelo menos duas grandes perguntas à vista: como conciliar o potencial turístico da região e a inevitável demanda por investimentos em infraestrutura, com o desenvolvimento sustentável de comunidades ribeirinhas? E será que a isenção de visto para turistas terá o impacto imaginado? Para saber mais, não deixe de preparar aquele cafezinho e curtir a reportagem de Letícia Casado para o Diálogo Chino.


Você conhece o termo “soberania digital“? A ideia é que os países são soberanos em relação aos seus dados — assim como sobre os seus territórios. A discussão sobre isso já vem crescendo há alguns anos e ganhou destaque com a última reunião dos BRICS, no mês passado, quando os países decidiram alinhar as suas políticas de cibersegurança. Cada vez mais, os países do bloco — que enfrentam desafios parecidos — estão preocupados com a coleta e análise de dados sobre seus cidadãos, com a China liderando a discussão e sendo um dos fortes proponentes da regulação, em meio ao avanço das tecnologias ligadas a reconhecimento facial e Inteligência Artificial. Enquanto isso, um grupo de trabalho de 27 empresas chinesas (incluindo Tencent, Xiaomi e Alibaba) vai elaborar o primeiro documento para padronizar o uso de reconhecimento facial no país inteiro — um precedente para a futura legislação. Algumas das empresas na lista, como SenseTime e iFlytek, estão na lista de sanções dos EUA.

Falando em reconhecimento facial e regulação, uma nova matéria na Financial Times conta como empresas chinesas, tais quais Dahua, China Telecom e ZTE, estão envolvidas na elaboração do que será o regulamento mundial publicado pelo órgão da ONU para telecomunicações — o UIT (União Internacional de Telecomunicações, ou ITU, em inglês). O documento, que está sendo elaborado há dois anos, deve ser publicado ainda neste ano e precisa ser aprovado pelos 200 membros que fazem parte da UIT. Trará sugestões de normas sobre reconhecimento facial, vigilância em vídeo em veículos e nas ruas.


Dos diversos pontos sensíveis à guerra comercial sino-estadunidense, um dos mais caros a Washington é o dos opióides. Enfrentando uma grave crise nacional de abuso químico, muitos nos Estados Unidos culpam a China pelo fácil acesso a drogas sintéticas em seu território. Os dados não ajudam Pequim: entre 2016 e 2017, 97% do fentanil apreendido em serviços de correio internacional pela polícia estadunidense eram de origem chinesa. Durante o encontro da cúpula do G20 no ano passado em Buenos Aires, Xi Jinping prometeu a Donald Trump tomar medidas para interromper o envio da substância aos Estados Unidos. A promessa foi mantida e, recentemente, a legislação chinesa recebeu modificações de modo a ampliar a regulação sobre a produção e a venda de fentanil e suas variações. O passo é positivo, mas talvez ainda insuficiente para pôr fim à epidemia no país norte-americano.

Viralizou no Weibo, uma das maiores e mais ativas redes sociais da China, um caso de violência doméstica sofrido pela artista e influencer Yuya Mika — famosa por seus tutoriais de maquiagem que imitam famosos e obras de arte. Em um vídeo de 12 minutos, Yuya não apenas narra a série de abusos psicológicos e físicos praticados por seu ex-parceiro (que também é um artista e influencer no Weibo), mas também chama as ex-namoradas de seu abusador para compartilhar experiências de violência doméstica perpetradas por ele. O vídeo já foi compartilhado mais de 425.000 vezes na plataforma.
Apesar da proporção que o vídeo tomou, a polícia local deteve o ex-parceiro de Yuya por apenas 20 dias — a despeito de a vítima ter fornecido imagens de elevador de momentos em que estava sendo agredida.

Segundo a Federação de Mulheres da China, 30% das mulheres chinesas casadas já sofreram alguma forma de violência doméstica. O Império do Meio caminha a passos lentos para proteger as mulheres: a primeira lei de abuso doméstico foi promulgada apenas em 2016, e há quem já diga que não está funcionando.


Durante o mês de novembro, quase duzentos mil membros e aliados da comunidade LGBT da China escreveram cartas às autoridades do país clamando pela legalização do casamento homoafetivo no gigante asiático. O movimento, impulsionado em ocasião da revisão das disposições do direito civil chinês, dificilmente logrará alterar a constituição chinesa. Ainda em agosto, afinal, o porta-voz da Comissão de Assuntos Legislativos do principal órgão legislativo da China, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, declarou que o atual sistema conjugal chinês estaria de acordo com as tradições do país. Ainda assim, o esforço não foi em vão. “Ao menos queremos que os legisladores ouçam que há uma demanda entre a comunidade LGBT”, declarou Yanzi, diretor da LGBT Rights Advocacy China.


Nos últimos meses, diversas escolas de inglês para crianças têm fechado as portas repentinamente e deixado pais desesperados por terem feito pagamentos altos e não terem perspectiva de reverem seu dinheiro. Muitas dessas escolas de inglês no país têm uma fama suspeita: o mercado é controlado mas pouco vigiado, com professores estrangeiros pouco capacitados e com alta rotatividade (muitas vezes estudantes fazendo bico) e que cobram caro — saber inglês é um enorme diferencial e os pais com dinheiro investem pesado. Um escândalo de corrupção de uma grande rede ainda neste ano e uma ação do governo para fechar escolas ilegais desde o ano passado (quase 500 mil centros de ensino visitados) são parte desse cenário.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Lixo no lixo: já falamos aqui sobre os desafios da separação de lixo na China. Que tal agora ouvir um podcast sobre o tema? Diretamente de Xangai, o Inside China visitou uma família, uma empresa e trabalhadores sobre as novas leis de separação de lixo na cidade.

Pai solteiro: Chinarrative publicou a primeira parte da história de três pais solteiros na China. Em inglês.

Que Taobao o quê: está precisando comprar uma lâmpada nova? Vai lá e faz. E o “lá” é um espaço de coworking em Xangai que segue o mantra de Faça Você Mesmo. Eles dão os equipamentos, ensinam a usar e discutem o consumismo desenfreado na China. Vale dar uma olhada.

Música: Conheça a versatilidade do R&B da artista taiwanesa 9m88. Comece por 如果可以 e passe para Aim High. Você não vai se arrepender.

Fotografia: as belíssimas fotos de Qian Haifeng, que viaja nos trens lentos da China registrando a rotina dos passageiros.

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