fotografia de uma floresta na mongólia interior com árvores de diferentes cores e um rio cruzando

Foto de wudan3551 via Unsplash.

Edição 387 – Ainda tem o que falar do 15º Plano Quinquenal

Política e economia

Veio aí. Durante as Duas Sessões, foi também aprovado o primeiro Código Ecológico e Ambiental do país, que combina e adapta leis existentes, bem como traz novas regras. A nova legislação passará a valer a partir de 15 de agosto, e está sendo recebida como forma de reduzir a insegurança jurídica. Na mídia oficial vem sendo divulgada como a primeira do mundo que incorpora em um único texto todas as áreas de proteção ambiental, a relação entre desenvolvimento e proteção e a coexistência harmoniosa entre seres humanos e a natureza – e coloca o Código como um exemplo para outros países em desenvolvimento, com casos chineses de soluções. Na entrevista com a legisladora Lyu Zhongmei, ela comenta como o Código tenta equilibrar o papel do governo central e a responsabilidade dos governos subnacionais, que costumam atropelar a legislação ambiental para atingir números de PIB. Ele também propõe que a China possa exercer uma jurisdição extraterritorial para defender direitos ambientais e nacionais fora do país em caso de violação por empresa chinesa. O NPC Observer fez uma análise que vale ler. Esse é o segundo Código da China. O primeiro (o Código Civil) foi aprovado em 2020, durante as Duas Sessões daquele ano e já continha alguns pontos sobre meio ambiente. 

E vamos de análise. Já comentamos sobre o 15º Plano Quinquenal, divulgado durante as Duas Sessões que ocorreram há duas semanas. Ainda tem muito a se falar dele, mas já tem análise saindo, com destaque para as questões de tecnologia que haviam chamado atenção logo na esteira do lançamento. No novo plano, o governo chinês pretende desenvolver indústrias estratégicas ligadas à tecnologia, bem como temas que funcionam como apostas de indústrias do futuro (e bem mais sci-fi).  Destacamos aqui o texto de Kyle Chan no ChinaTalk que olha para as tendências principais vistas no plano, como persistência no desenvolvimento de certas tecnologias (espacial, automotiva, etc), segurança energética, inovação local, e mais. Chan também faz um apanhado geral do tema de tecnologia desde a década de 1980. Já o pessoal do DigiChina de Stanford pediu para diversos especialistas da área escreverem análises curtas sobre o plano e o que mais chamou a atenção deles.

Internacional

Os Estados Unidos metendo a colher na relação Brasil-China. O discurso do cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, gerou espanto entre empresários brasileiros ligados ao porto de Santos. A Folha de S.Paulo publicou uma reportagem mostrando que Murakami teria deixado claro, durante um evento, que os Estados Unidos não querem que o megaterminal do Porto de Santos, o Tecon 10, seja administrado pelos chineses. A fala do diplomata aconteceu  durante um evento organizado por um grupo de mídia da região. Ele teria dito ainda que o terminal portuário, o maior da América Latina, é de grande importância para Washington, mencionando o combate ao crime organizado. Essa fala está presente no vídeo que Murakami gravou, em português, para as contas das redes sociais da embaixada. No início do ano, a CNN publicou que empresários chineses estão percorrendo gabinetes em Brasília para tratar do leilão, mesmo que o certame ainda não tenha data definida. 

Fica pra próxima: Trump adia viagem para a China. Muito ocupado com a guerra que iniciou no Oriente Médio, o presidente americano Donald Trump deve adiar a visita a Pequim, onde havia previsão de que ele se encontrasse com Xi Jinping em abril. Na semana passada, Trump comentou o assunto dizendo que seria importante que ele permanecesse em Washington enquanto a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã continua em curso. Ainda há indefinição sobre um real adiamento do encontro, mas analistas já se anteciparam dizendo que o postergamento da reunião Xi-Trump beneficiará a China, já que o republicano deverá sair enfraquecido da guerra que ele criou com seu aliado Benjamin Netanyahu. A aposta se dá sobretudo devido à pressão que a guerra tem causado sobre o preço do petróleo no mercado mundial. A China, vale lembrar, tem o Irã como seu principal parceiro comercial no Oriente Médio.

Sociedade

Wang Fuk Court. Começaram nesta quinta-feira (19) as audiências públicas sobre o incêndio que causou 168 mortes em Hong Kong em novembro. O processo visa coletar evidências do que pode ter contribuído para a tragédia, de modo a identificar problemas na legislação que regula reformas de grande escala em prédios. Nos dois primeiros dias, foram atestadas falhas já bastante discutidas nos últimos meses: alertas dos residentes foram ignorados, materiais usados nas obras não seguiam os padrões estabelecidos e os órgãos públicos ignoraram que a empresa responsável pela reforma já havia sido flagrada diversas vezes em irregularidades. Hong Kong é a cidade com o maior número de arranha-céus do mundo e virtualmente toda a população vive em prédios, o que torna o caso de Wang Fuk Court e suas consequências uma referência global. Entre os participantes das audiências estão os sobreviventes e moradores das demais torres do conjunto de prédios, cujo destino ainda segue indefinido – eles devem poder retornar às suas unidades para recuperar objetos pessoais em meados de abril, e o governo prepara uma proposta de aquisição dos apartamentos.

Deu ruim. Em agosto passado, contamos do escândalo envolvendo o abade principal do famoso Templo Shaolin, na província de Henan. Em meados do ano passado, o então líder do templo Shi Yongxin foi afastado. Pois bem, Shi foi oficialmente indiciado por suposto desvio de fundos, apropriação indevida de recursos e suborno na sexta-feira (20). Além do valor histórico do complexo arquitetônico de mais de 1500 anos, o Shaolin ficou extremamente famoso pela criação da modalidade shaolin kung fu dos seus monges budistas – e que também aceitava crianças e interessados que queriam passar (e pagar) por um treinamento old school. Parte dessa fama veio da intensa comercialização da imagem e atividades do templo sob tutela de Shi (que era abade desde 1999), o que lhe rendeu o apelido de “CEO”. Segundo a matéria do SCMP, a prisão de Shi está levando a uma série de reformas nos templos budistas da China.

Zheng He

Jogo: a nostalgia pelos anos 2000 está em todo lugar, como prova o novo game que está sendo sucesso entre jovens chineses. O Millenium Dream resgata a estética, a vibe e muito mais de como era viver na China na década retrasada (sim, gente, retrasada…). 

Sabedoria old school: esta reportagem do South China Morning Post conta como as mulheres chinesas fazia para evitar bebês durante a China imperial, muito antes de a indústria farmacêutica e seus contraceptivos existirem.

Moda: Borlas e franjas fazem parte da moda chinesa desde o Período dos Estados Combatentes, mas estão passando por um revival recentemente, regatadas por artistas como Ya Yi.

 

A Sixth Tone acaba de publicar no YouTube uma série documental de 2025 sobre a Angel Salon, organização que ensina música para jovens autistas. A iniciativa foi fundada em 2008 pelos condutores Cao Peng e Cao Xiaoxia, e conta com o apoio voluntário da Orquestra Sinfônica da Cidade de Shanghai.

 

 

 

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