Edição 378 – Hong Kong anuncia condenação de Jimmy Lai em meio a protestos da comunidade internacional

Jimmy Lai e Apple Daily condenados. Chegou ao fim em Hong Kong nesta segunda-feira (15) o julgamento de Jimmy Lai, preso desde 2020. O dono do extinto jornal de Apple Daily foi declarado culpado pela publicação de materiais sediciosos e duplamente condenado por colaborar com estrangeiros para ameaçar a segurança nacional; esta última sentença, sob a Lei de Segurança Nacional, também é válida para suas empresas Apple Daily Limited, Apple Daily Printing Limited e AD Internet Limited. O veredito foi alvo de críticas de diversos grupos internacionais, entre eles o G7 e a organização Repórteres Sem Fronteiras; editoriais em diversos jornais de Hong Kong defenderam a condenação, reforçando o papel da mídia na defesa da segurança nacional. A pena de Lai, a ser definida a partir de janeiro, pode ser de dez anos à prisão perpétua.
Em mais uma tentativa de impulsionar sua economia e projetar sua influência global, a China lançou um pacote de 113 bilhões de dólares para livre comércio na ilha de Hainan. Reportagem da Reuters fala que a medida de conferir à província um sistema aduaneiro separado do restante do país, as autoridades chinesas esperam atrair investimento estrangeiro. Além de um regime tributário especial, Hainan (província que está próxima ao Vietnã), também poderá contar com empresas estrangeiras operando em setores de serviços, algo que não é permitido nas demais províncias chinesas. Segundo reportagem da Reuters, com a iniciativa, Pequim também busca fortalecer suas credenciais em livre comércio com atores do mundo todo, como os integrantes do CPTPP (Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica). Desde 18 de dezembro de 2025, Hainan opera como zona aduaneira independente, com isenção tarifária para cerca de 74% das importações e um sistema de “duas linhas” para a entrada de bens do exterior e sua circulação para o restante da China. Uma nova regra, batizada de “regra dos 30% do valor agregado”, permite que produtos processados em Hainan ingressem no território continental sem tarifas de importação, desde que alcancem esse nível mínimo de transformação local. O modelo cria incentivos para a reorganização de cadeias de suprimento, redução de custos e maior integração com o vasto mercado doméstico chinês. O China Briefing fez um texto detalhado (com direito a fórmulas) sobre o tema. Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a China tentou fazer uma medida como essa em Hainan, para quem quer saber mais sobre o histórico sem sucesso, o SCMP tem um texto de 2021.

Ela, a venda do Tik Tok: veio aí. Depois de tanta, mas tanta, novela, um memorando interno da empresa anunciou na quinta (18) que em janeiro deverá ser concluída a sua venda parcial para empresas dos Estados Unidos. O acordo garantirá a sobrevivência do app chinês no país norte-americano, após forte pressão e uma legislação aprovada ano passado que exigia que 80% da empresa deveria estar sob tutela de empresas que não sejam estrangeiras. Estruturada como uma joint venture, a venda deixa 50% do TikTok para uma combinação de acionistas da Oracle e empresas de investimento privado, 30% devem ficar com investidores já existentes e 19,9% ficam com a, hoje dona, ByteDance. Assim, a joint venture será responsável pela tutela dos dados, além de moderação de conteúdo e pelo (re)treinamento do algoritmo com dados de usuários dos EUA. A empresa não confirmou a informação para a imprensa.
Um dos projetos mais simbólicos da presença chinesa no Himalaia entrou na lista dos escândalos de corrupção. O órgão anticorrupção do Nepal abriu um processo histórico contra 55 pessoas e uma empresa chinesa pela construção do Aeroporto Internacional de Pokhara. A acusação aponta que houve um superfaturamento de pelo menos US$ 74 milhões em uma obra que custou cerca de US$ 216 milhões. O caso envolve a estatal China CAMC Engineering Ltd, que também é responsável por outras obras de infraestrutura parecidas ao redor do mundo, e expõe uma combinação preocupante de contratos opacos, financiamento atrelado a fornecedores chineses e fragilidade institucional. O avanço da investigação só foi possível após a queda do antigo governo e a chegada de uma administração interina comprometida com a “limpeza” institucional e a revisão das contas. Mesmo depois de inaugurado, o aeroporto virou um elefante branco, já que não havia voos internacionais regulares e preso num impasse geopolítico que envolve China, Índia e soberania aérea, algo que a gente tem visto bastante por aqui nas últimas semanas.

Em busca do sexo escondido. Autoridades chinesas desmantelaram uma esquema de redes de contrabando que enviaram mais de 100 mil amostras de sangue de gestantes para testes ilegais de determinação do sexo fetal, proibidos na China continental. Os esquemas anunciavam exames “não invasivos” nas redes sociais, cobrando até 3 mil yuans, e contrabandeavam as amostras para laboratórios fora do país. Ao todo, 26 suspeitos foram detidos, e os principais envolvidos teriam lucrado mais de 30 milhões de yuans. A prática persiste apesar de repetidas repressões, impulsionada pela preferência histórica por filhos homens, que gerou forte desequilíbrio demográfico. Em 2024, a China registrava quase 30 milhões de homens a mais do que mulheres, com 112 meninos nascendo para cada 100 meninas. O tema foi pauta também do The Diplomat, mas não é novo. Devido a questões culturais e à proibição, há uma série de relatos e de investigações no passado com casos semelhantes envolvendo sexagem de mulheres grávidas.

Relações: o Centro Empresarial Brasil-China lançou uma carta sobre os próximos passos da relação entre os dois países, destacando que os negócios vão “Das Commodities à Conectividade”.
Então é Natal: e você já pensou em decorar a ceia de forma temática?
Superstição ou fatos: para a galera dos signos, vale ler esta matéria da Sixth Tone sobre como o signo de Capricórnio se destacou entre os literati (ou intelectuais) chineses na época antiga.
Para ouvir: final de ano e chegam as retrospectivas – inclusive uma listinha quente de melhores álbuns em mandarim lançados em 2025.
Para ler: e como não poderia faltar, temos também a lista dos melhores livros da China em 2025. Aproveitamos para anunciar que um deles, o Faço Entregas em Pequim (I Deliver Parcels), sobre o qual já falamos aqui, será nossa leitura de abril no Clube do Livro de Literatura Chinesa. Fica o convite para participar.
A cada década desde 1685, o Kam Tin Jiao Festival é organizado para celebrar deidades taoístas em Hong Kong. O grande destaque deste ano foi o altar temporário de cinco andares e quase 4 mil m2, todo feito de bambu, que entrou para o Livro dos Recordes. Ao longo da última semana, o festival – que é um Patrimônio Cultural Imaterial de Hong Kong – recebeu cerimônias religiosas, danças de leões, banquetes vegetarianos e sessões de ópera cantonesa.
