Newsletter 035 (PT)

Destaques sobre política, sociedade, economia e cenário internacional da República Popular da China.

Desde o início do mês, as forças armadas da China vêm revelando uma variedade de novas e sofisticadas armas. Apesar de várias já terem sido supostamente testadas, resta a dúvida de quais estão efetivamente prontas para combate e quais são apenas parte da propaganda militar e tecnológica de Pequim. Em matéria sobre o assunto, a CNN analisa as principais novidades bélicas do Império do Meio e as classifica de acordo com sua plausibilidade. Destaque para a versão chinesa da “Mãe de Todas as Bombas”, codinome lançado pelos EUA para uma bomba — a Massive Ordnance Air Blast — usada pela primeira vez contra o Afeganistão em 2017, e para a “Muralha da China Subterrânea de Metal”, uma instalação de defesa capaz de proteger oficiais e armamentos estratégicos até mesmo de mísseis hipersônicos nucleares.


Até 2030, a China pretende ser a líder mundial em inteligência artificial. A pesquisadora Sophie-Charlotte Fischer do CSS (Center for Security Studies) desenvolveu uma análise histórica deste tipo de tecnologia na China e de seus caminhos até o presente momento, além de suas implicações no futuro do país e do mundo. Vale também ouvir o episódiodo Sinica Podcast do ano passado com participação do renomado investidor e escritor Kai-Fu Lee sobre a rivalidade entre EUA e China neste campo.


As empresas estatais chinesas atingiram em 2018 recordes históricos de receita e lucro, de acordo com dados liberados na quinta-feira pela Comissão de Supervisão e Administração de Ativos do Conselho de Estado da China. Se, por um lado, as corporações privadas do país enfrentaram nos últimos doze meses dificuldades em meio a um cenário econômico nacional de desaceleração, suas homólogas públicas lograram manter a boa performance financeira através do crescimento estável de sua participação na economia doméstica chinesa e de medidas de apoio lançadas pelo governo de Pequim, alega Peng Huagang, porta voz da comissão. Ademais, as estatais também teriam respondido melhor aos novos ventos da economia chinesa, cortando custos e gerenciando investimentos e riscos com mais precisão.


Em rara declaração pública, Ren Zhengfei, fundador e dono da Huawei, disse na última semana a um grupo de jornalistas que sente saudades de sua filha Meng Wanzhou — presa desde dezembro no Canadá sob acusações de participação em negócios irregulares da empresa do pai, da qual é diretora financeira — e que espera que Donald Trump interfira em seu favor no caso que balançou as relações entre Pequim, Ottawa e Washington. Ren ainda declarou que admira o presidente estadunidense e que avalia que seus cortes de impostos beneficiaram a economia e a sociedade americana. Por fim, o empresário aproveitou a oportunidade para combater as suspeitas de que a Huawei operaria a favor da expansão do aparato de espionagem chinês pelo mundo. “Eu amo o meu país, eu apoio o Partido Comunista da China, mas eu jamais faria qualquer coisa para prejudicar qualquer outra nação”, afirmou.

Será que a Belt and Road Initiative precisa da sua própria teoria? Alguns argumentam que sim. A versão resumida e em inglês está disponível pelo China Policy. Diversos especialistas chineses de áreas como Relações Internacionais, Antropologia, Economia e Política opinaram sobre como a iniciativa precisa de conceituação acadêmica para ser melhor analisada e discutida. Dentre os comentários estão a sua característica descentralizada, focada em tecnologia, aliado à globalização porém não baseada nos Estados Unidos.


De acordo com um relatório da Bloomberg, o governo central de Pequim ofereceu uma saída da guerra comercial sino-estadunidense a Washington — alavancar as importações chinesas de produtos americanos em seis anos a um total de mais de 1 trilhão de dólares, zerando o déficit do fluxo comercial entre os dois países até 2024. A proposta, supostamente lançada no início do mês em negociações entre os dois países, foi recebida com ceticismo pelos oficiais dos Estados Unidos, que demandam a correção do desbalanço no comércio entre chineses e estadunidenses num prazo ainda menor, de apenas dois anos. Não seria a primeira vez que a China se dispõe a aumentar suas compras de mercadorias dos EUA para solucionar os impasses entre os dois países, e para alguns analistas a conta da medida pode acabar sendo paga pelos demais parceiros comerciais dos chineses, que devem ver seus déficits comerciais com o gigante asiático escalarem.


A ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, publicou um artigo de opiniãono Diálogo Chino recentemente sobre como Brasil e China podem construir uma cooperação de ganhos mútuos no que tange à agenda ambiental internacional. Ressaltando a importância da multipolaridade, a ex-ministra deu destaque a temas como bioeconomia, segurança alimentar, saneamento básico e biodiversidade como canais de possível entendimento recíproco.

Ainda sobre Brasil: a notícia de que deputados do PSL teriam ido à China para, dentre outros objetivos, estudar o sistema de reconhecimento facial chinês e possivelmente aplicá-lo ao Brasil causou controvérsia na mídia nacional. A tecnologia, que é usada em larga escala principalmente na província autônoma de Xinjiang sob justificativas securitárias, deve ser vista com atenção. James Milward discorre sobre as atuais pressões de Xinjiang em seu mais novo artigo. Vale a reflexão.

A transformação da cidade de Dongguan: de capital do sexo na China para um hub de tecnologia. De fato, alguns pesquisadores já analisam como a indústria do sexo está conectada com a ascensão da classe média e abertura comercial do país. Falamos disso lá no início da Shūmiàn.


Censura é um assunto complexo na China. Uma das editoras desta própria newsletter já comprou uma edição inglês-mandarim do no mínimo sensível “A Revolta dos Bichos”, de George Orwell, no sul chinês. A elite do país tende a ter acesso facilitado a muitas fontes e materiais e a dificuldade em chegar a determinadas obras e autores está mais para cinquenta tons de cinza do que preto e branco.


Inspirados pelo filme Três Anúncios Para Um Crime, os artistas Wu Qiong, Lin He e Zheng Hongbin lançaram um raro protesto político na China contra terapias de conversão sexual no país. Consistindo de três caminhões vermelhos estampados com as frases “Curar uma doença que não existe?”, “O critério de diagnóstico de desordens mentais na China ainda inclui ‘desordem de orientação sexual’” e “Já faz 19 anos, por que?”, a manifestação percorreu as ruas de Xangai na última semana e deve passar por outras grandes cidades chinesas no próximo mês, incluindo Pequim. O último caminhão faz referência à retirada da homossexualidade da lista oficial de desordens mentais no país em 2001 pela Sociedade Chinesa de Psiquiatria mas a manutenção, ainda na mesma lista, de referências à existência de “desordens de orientação sexual”.


De tempos em tempos falamos sobre a cena underground de Pequimm na Shūmiàn. O portal Maekan foi mais à frente: além da capital do Império do Meio, Chongqing, Chengdu (famosa pelo seu hip-hop), Xi’an e Xangai aparecem nesta reportagem que não apenas detalha a riqueza da cena musical alternativa de cada cidade — como misturar músicas tradicionais da minoria Minyao (民谣) com batidas eletrônicas vistas em Shenzhen — mas também dos crescentes desafios regulatórios de operar em uma área ainda cinzenta. Vale conferir a reportagem pelas histórias e fotografias de uma cena pouco vista na mídia tradicional.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Palácio de Verão: o Palácio de Verão, em Pequim, foi destruído por tropas estrangeiras durante a invasão francesa e britânica à China no século XIX e hoje permanece em ruínas. Aqui, porém, você pode conferir uma reconstrução digital do monumento, que durante seu funcionamento foi um dos mais importantes centros de poder das dinastias chinesas e admirado pelo seu grandioso jardim.

Longa Jornada Noite Adentro: o filme do diretor Bi Gan, que foi premiado em Cannes, estreou na China fazendo muito sucesso. Surpreende, pois ele pertence a longa tradição de filmes menos comerciais e mais “artísticos” de cineastas chineses. Parece que o sucesso se deu muito por uma campanha de marketing esforçada. O texto linkado contém alguns spoilers. O filme passou no Brasil em setembro do ano passado, conforme avisamos na edição 17.

Porcelana chinesa: você já deve ter visto as tradicionais porcelanas chinesas em cor azul em lojas, restaurantes e filmes por aí. Agora, você sabia que toda a produção original dessa porcelana chinesa azul (linglong — 玲珑)  vem de uma única cidade do nordeste do país? E mais: que essa cidade já faz isso há mais de 1700 anos? Confira aqui como é produzida essa relíquia.

Peppa Pig roubando corações: foi lançado recentemente um vídeo promocional do filme da Peppa Pig que será exibido apenas na China em comemoração ao Ano Novo Chinês. O vídeo de 8 minutos já foi visto mais de 340 milhões de vezes e promete arrancar algumas lágrimas.

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