Newsletter 034 (PT)

Destaques sobre política, sociedade, economia e cenário internacional da República Popular da China.

A bolha no mercado imobiliário chinês já não é segredo para ninguém. Há anos os preços de imóveis no país crescem expressivamente, e em cidades como Xangai a relação entre preço e renda de casas e apartamentos — ou seja, quanto tempo um família precisa trabalhar sem gastar nada de seus rendimentos para comprar um imóvel — já passa dos 23 anos. Nem todos, porém, vêem o cenário com pessimismo. Em colunano South China Morning Post, o analista Zhang Lin afirma que, dado o modelo econômico e social chinês, é pouco provável que a bolha imobiliária do país estoure. Para ele, basta que o governo central em Pequim controle a relação entre demanda e oferta e que tome medidas para evitar um quadro de deflação para que o mercado de imóveis da China siga sob controle. Muitos, contudo, discordam, apostando numa crise no setor em breve.


 Elon Musk esteve na China para o lançamento da primeira planta da empresa Tesla fora dos Estados Unidos, em Xangai — os resultados disso certamente serão interessantes, já que o mercado chinês de carros elétricos é pujante: o país é líder global nesta área e o maior mercado do mundo para automóveis. Empresas automobilísticas na China, além disso, ainda contam com incentivos governamentais para a produção de carros elétricos.


Jantar mais com empreendedores, conhecê-los profundamente, estreitar os laços: à primeira vista, parece ser uma recomendação delicada em um país que iniciou uma forte campanha contra corrupção em 2012 e já puniu milhões de pessoas por isso. Surpreendentemente, trata-se de uma diretriz que tem reverberado cada vez mais na China para contornar os desafios da desaceleração de sua economia: o 新型政商关系 (“novo tipo de relação entre cadre-empreendedor”, em tradução livre). Baseado nos princípios de integridade e intimidade definidos por Xi Jinping, a estratégia tem como objetivo diminuir a burocracia para a abertura e aceleração de novos negócios, e até mesmo facilitar a expansão de crédito para novos empreendimentos por grandes bancos do país.

A polícia polonesa prendeu um executivo da Huawei na China sob alegações de envolvimento com espionagem cibernética. O ocorrido é mais um episódio na difícil relação entre a gigante chinesa de telecomunicações e os países ocidentais, especialmente agravado desde a prisão da Diretora Financeira da empresa no Canadá no último mês. A reação da Huawei desta vez, porém, foi diferente: ao invés de defender o funcionário, a empresa o demitiu alegando não ter qualquer relação com suas ações. “A Huawei cumpre todas as leis e regulamentos dos países em que opera e exige que todos os seus funcionários também o façam”, acrescentou em declaração oficial.


 O ChinaFile organizou duas conversas de especialistas no seu website. A primeira sobre a possibilidade de estarmos adentrando em uma nova Guerra Fria, desta vez entre China e Estados Unidos. A segunda, sobre a atuação chinesa na América Latina. Vale a pena conferir.


Lembra que há algumas semanas comentamos aqui na Shūmiàn sobre o caso de Robert Schellenberg, o canadense preso por tráficos de drogas na China que seria julgado novamente após uma corte do país considerar sua pena inicial de 15 anos de detenção muito leniente? O novo julgamento ocorreu nesta segunda-feira (14) e, desta vez, Schellenberg foi condenado à pena de morte. O caso soma-se à detenção de outros cidadãos do Canadá sob alegações de ameaças à segurança nacional chinesa e deve agravar o já expressivo desgaste das relações entre Pequim e Ottawa.


 Após a Apple ter anunciado problemas na China que vão muito além da guerra comercial sino-estadunidense, parece ter chegado a vez da gigante do café Starbucks de levantar a bandeira vermelha. Segundo projeções da Goldman Sachs, mudanças macroeconômicas e o desaceleramento da economia chinesa estariam por trás da nova tendência. A rival chinesa Luckin Coffee comemora.

O governo da China aprovou um plano quinquenal para tornar o islamismo professado no país “mais chinês”. A intenção, segundo fontes oficiais, é guiar a religião de modo a fazê-la compatível com os valores do socialismo e patriotismo chinês. A medida não é surpresa, e segue a mesma linha de outros planos já lançados e em execução que buscam regular as outras religiões reconhecidas oficialmente por Pequim — budismo, taoísmo e cristianismo — ao passo em que cada vez mais chineses se identificam como religiosos. Enquanto alguns acusam o governo do país de cercear a liberdade de crençade seus habitantes, os dirigentes da China alegam que as deliberações são necessárias para garantir a segurança e estabilidade nacional chinesa.


Mais um escândalo envolvendo vacinas impróprias para uso volta a virar assunto no Império do Meio. Desta vez, foi o caso de vacinas vencidas destinadas à imunização contra poliomielite. O ocorrido foi registrado na província costeira de Jiangsu e já afetou pelo menos 145 crianças. Centenas de pais protestaram em frente a prédios governamentais neste fim de semana. O portal de notícias Uol fez uma matéria sobre o assunto.


 Um desabamento em uma mina de carvão matou 21 pessoas neste domingo na província de Shaanxi, no noroeste chinês. O acidente teria ocorrido após o teto da mina ter colapsado. Curiosamente, o mesmo local já havia sido interditado em 2017 por apresentar grandes riscos de segurança aos mineradores.

Aproveitando o gancho: mais da metade (60.4%) do consumo total de energia chinês ainda é abastecido por… Carvão. Apesar de ainda elevada, a dependência desta fonte de energia tem caído na última década, dando espaço cada vez maior para fontes renováveis. O país possui a maior capacidade instalada de energia eólica, hidrelétrica e solar do mundo. Quer ir mais a fundo sobre o setor energético chinês? Confira aqui um artigo sobre o tema na revista China Perspectives.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Entrevista: em conversa com o China.Org, Joseph Nye, um dos mais respeitados acadêmicos da área de Relações Internacionais, comenta sobre o atual momento das relações sino-estadunidenses e como a China pode se utilizar de sua influência cultural para se tornar um país mais atrativo internacionalmente. Imperdível.

Mistério: você já ouviu falar do “Triângulo das Bermudas” da China? Localizado no sudeste do país, a região do Lago Poyang abriga inúmeros mistérios de desaparecimento de navios desde 1383. Uma história para se ler tomando um cafezinho.

Ilustrações: liberdade sexual feminina, aceitação e prazer — estes são alguns dos comentários possíveis para descrever a arte da taiwanesa Phoebe Chen. Aproveite.

Música: conheça o ecletismo de Li Daiguo, um músico sino-americano versado em mais de 20 instrumentos ocidentais e orientais, como o cello e mbira. Você pode conferir aquialgumas das produções do artista.

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