Um recente caso de pagamento via WeChat tem levantado dúvidas sobre a segurança de transações autorizadas por reconhecimento facial. O motivo? A operação foi realizada enquanto, surpreendentemente, o dono estava dormindo. Ao que tudo indica, o rosto da pessoa havia sido escaneado por um colega de quarto. As maiores plataformas de pagamento no país — Alipay e WeChat — oferecem o recurso de reconhecimento facial para alguns modelos telefônicos disponíveis no país.

Uma longa e detalhada reportagem traduzida por Jeffrey Ding esmiúça as particularidades das gigantes financeiras que oferecem esse serviço. Enquanto o Alipay (plataforma com o maior número de usuários) utiliza um método de verificação facial 2D com 90% de precisão (uma taxa considerada baixa para transações financeiras), o WeChat faz uso de um método de verificação facial 3D que, em teoria, conseguiria detectar, com maior facilidade, se os olhos do usuário estão fechados. No entanto, o método 3D depende em grande medida da qualidade do sensor da câmera do celular utilizado — inclusive, a própria empresa admite que, para alguns modelos telefônicos, a detecção de olhos fechados ou abertos não pode ser plenamente garantida.

Para alguns, esse caso ajuda a corroborar o motivo por que, em comparação com as gigantes de pagamento online, o sistema bancário chinês ainda é pouco adepto a inovações tecnológicas. As possíveis brechas em segurança inviabilizam a adoção de novidades em larga escala. Como superar essa barreira? É preciso coletar mais dados de transações financeiras — o que muitas pessoas não estão dispostas a ceder.


A equipe do Abacus criou um site interativo para você aprender mais sobre a indústria da tecnologia da República Popular da China, o China Tech City. Inclui os perfis das empresas e as matérias mais relevantes que já saíram no site sobre o tema, além de questões explicativas sobre o uso de códigos QR, 5G etc. Vale a pena conferir.


Será Xangai o epicentro de uma revolução de coleta seletiva de lixo na China Continental? É o que o governo local espera com as mais recentes leis que começaram a entrar em vigor na segunda-feira (01). Inspiradas em diretrizes que funcionam em lugares como Taiwan e Japão, todo o lixo urbano deve ser devidamente separado, sob risco de multas que podem chegar a 100 reais para indivíduos, e 250.000 reais para empresas. A meta é alcançar pelo menos 35% de taxa de reciclagem de resíduos sólidos na cidade.

Pouco antes do início da cúpula do G20 em Osaka, Abe Shinzo e Xi Jinping se reuniramno Japão para discutir o futuro das relações nipo-chinesas. Após a conversa, Xi afirmou que os laços entre os dois países têm melhorado em um ritmo como poucas vezes ocorreu anteriormente. “Gostaria de trabalhar conjuntamente para construir relações entre a China e o Japão que atendam às demandas da nova Era”, completou. Já o primeiro-ministro japonês convidou o líder chinês para voltar a visitar o Japão e declarou que espera poder elevar as relações entre os dois países a um novo patamar.


A China e os Estados Unidos concordaram com uma nova trégua temporária na guerra comercial entre os dois países, conforme relatos de fontes próximas à situação ao South China Morning Post. O acordo, estabelecido antes da reunião entre Xi Jinping e Donald Trump no encontro do G20, deve evitar a implementação de taxas adicionais na faixa de 300 bilhões de dólares americanos, por parte de Washington, a importações chinesas.

Já no encontro, os líderes decidiram permitir a retomada das negociações comerciaisde alto nível entre as duas maiores economias do mundo. Para o presidente estadunidense, o objetivo  da volta à mesa de negociações é, a princípio, verificar se há ou não a possibilidade da construção de um acordo que ponha fim às hostilidades comerciais entre Washington e Pequim. Por sua vez,Xi Jinping declarou que a China deseja com sinceridade resolver as tensões com os Estados Unidos, mas espera que as novas negociações se dêem em bases de igualdade e respeito mútuo, tratando das preocupações legítimas de cada país.


Ao desembarcar no Japão ainda para a reunião da cúpula do G20, Jair Bolsonarodeclarou que o Brasil não tem lado na guerra comercial sino-americana. “A gente não quer que haja briga para poder se aproveitar […] a gente está buscando paz e harmonia”, declarou o presidente. Dias depois, Bolsonaro decidiu cancelar o encontro marcado com Xi Jinping  — um dos compromissos mais importantes da agenda do presidente brasileiro em Osaka — após um atraso de 20 minutos por parte do líder chinês. Questionado se não havia frustração após o cancelamento, o general Otávio do Rêgo Barros, porta-voz da presidência do Brasil, informou que Bolsonaro não apresentou opinião sobre o assunto.


Em um projeto investigativo, o jornal sul-africano Daily Maverick noticiou a presença da empresa chinesa Hikvision no país. Atuando na área de vigilância e segurança, a empresa agora é responsável por fornecer as câmeras de monitoramento 24/7 de Joanesburgo. A matéria de Heidi Swart saiu em duas partes. A primeira foca na vulnerabilidade técnica e na probabilidade de o sistema ser hackeado. A segunda discute como isso se encaixa na discussão de ciberespionagem de Huawei e ZTE, outras empresas chinesas de tecnologia — bem como na questão de poder do serviço de inteligência sul-africano em proteger o país. Fica de olho: a Hikvision também fornece equipamentos para governos estaduais no Brasil.

Que o Gaokao — exame único de admissão ao ensino superior na China — é um dos momentos mais importantes na vida dos jovens chineses, não é segredo para ninguém. Em edições passadas da Shūmiàn, inclusive, já abordamos o alcance e as dimensões da prova, além de críticas ao seu modelo e possibilidades de reforma. Em matéria sobre outro aspecto importante da discussão sobre o teste e suas implicações, o Sixth Toneaborda as dificuldades confrontadas por estudantes que enfrentam o desafio e a importância do Gaokao sob o peso de distúrbios mentais causadas direta ou indiretamente pela pressão em torno da prova.


Uma nova tendência tem surgido para quem procura aqueles 15 minutos de famaInfluencers, modelos ou pessoas que aspiram ao sucesso na internet têm sido fotografadas em situações banais por fotógrafos de rua. A reação varia de surpresa a coisas inimagináveis, como dar uma cambalhota, dançar ou fingir timidez. O curioso, no entanto, é que todas as situações são encenadas. Isso mesmo: de surpresa, não tem nada. Existe uma verdadeira indústria por trás disso — financiada por marcas de roupa até serviços de tele-entrega (como este famoso caso do cosplay no metrô de Pequim). Estima-se que a indústria de web celebrities gire em torno de 18 bilhões de dólares na China.

Seguindo o movimento, há quem já tenha começado a fazer críticas bem humoradas ao fenômeno — como é o caso de trabalhadores rurais desfilando em hortas comunitárias.


Se você já andou numa cidade chinesa, é provável que tenha percebido que elas são pouco amigáveis para pedestres. Um novo estudo feito entre o think-tank estadunidense Natural Resources Defense Council e a Universidade Tsinghua apresentou resultados com base na análise de 50 cidades chinesas. À medida que cidades se tornam atores importantes na economia global, o quão são receptivas aos pedestres — e por tabela, tem boa qualidade de vida, serão questões chave.

Falando em cidades, um artigo de opinião no Pandaily discutiu o projeto de Xiongan, uma área a 100 km de Pequim, que faz parte de um desejo estatal de reorganizar a região, a fim de criar um protótipo da cidade chinesa “inteligente”. E talvez Xiongan funcione até como protótipo global para novas cidades.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Mais orgulho: Não é por que o mês do Orgulho LGBTQIA+ está no fim que nós vamos parar de falar sobre isso. Aqui vai uma lista de podcasts sobre cultura LGBTQIA+ na Grande China.

Haja perna: já pensou em fazer a rota da Belt and Road Initiative de bicicleta? A gente certamente não, mas a Eva Yoo não apenas pensou, como fez. Ela conta no episódio mais recente do Wǒ Men Podcast sobre a sua experiência e o que ela aprendeu sobre a China nessa jornada (em inglês).

Música: mais um talento de Taiwan para ficar de ouvido grudado. A band The Fur prova que simplicidade é a regra de ouro.

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