Já abordamos na Shūmiàn que a Amazon está saindo da China. Em um artigo para a Southern Weekend, Zhang Yue explica como a empresa, que em 2009 detinha 15% do e-commerce chinês, caiu para uma vertiginosa marca de 0,6% em menos de dez anos. Um dos motivos abordado por Zhang é o fato de a empresa não ter sido “chinesa” o suficiente: poucos descontos, uma interface pouco convidativa para o usuário, um lento atendimento ao cliente e uma cultura de trabalho que muito destoava do tradicional 996 chinês.


Com a chegada da Libra (a moeda digital do Facebook), os domínios de pagamento online mundial podem mudar. A Brookings lançou um episódio do podcast Dollar & Sensesobre pagamentos digitais na China, se é possível que se espalhem pelo mundo, e o que o futuro reserva.


Com a guerra comercial sino-estadunidense chegando a seu segundo ano em meio a um cenário de marcadas incertezas, empresas dos Estados Unidos estão decidindo por transferir a produção de seus bens manufaturados para fora da China. Crocs, GoPro e Roomba são algumas das corporações que já estão produzindo em outros países para evitar as novas taxas sobre importações chinesas, impostas pela administração Trump. Gigantes como a Apple consideram seguir o mesmo caminho. O fenômeno contribui para a reordenação das cadeias globais de produção e, além disso, indica que a animosidade entre Washington e Pequim não deve acabar tão cedo.

Apesar de toda a confusão da guerra comercial, bem como da Huawei, nem toda empresa estadunidense está tão longe assim do governo chinês. Um novo artigo do The Intercept mostra a participação da OpenPower Foundation, uma empresa fundada por uma galera ex-Google e ex-IBM, para auxiliar no desenvolvimento de tecnologias de vigilância e monitoramento, em parceria com a chinesa Semptian e a fabricante de chips Xilinx (também dos EUA). A ideia é o desenvolvimento do — já existente — sistema Aegis. O artigo exagera no tom, mas a questão permanece no ar: esses produtos estão por aí e negócios são negócios.


Na segunda-feira (08), o governo dos Estados Unidos anunciou a liberação, para possível venda, de mais de dois bilhões de dólares em armamentos para Taiwan, incluindo tanques de guerra e mísseis terra-ar. A decisão não somente afeta as tensões entre Pequim e Taiwan (que, é importante lembrar, nem a China e nem os EUA reconhecem como país independente), mas também entre o Império do Meio e Washington. O governo chinês, descontente, pediu que a administração Trump cancele a autorização, enquanto Tsai Ing-wen, líder da ilha, agradeceu pela decisão estadunidense. Para completar, Tsai decidiu embarcar em uma visita oficial aos Estados Unidos e defender publicamente a democracia em Taiwan — deixando Pequim, é claro, ainda mais enfurecida.


A China deteve, na semana passada, mais um cidadão canadense, agravando, assim, o tensionamento das relações entre os dois países — em situação precária desde que o Canadá prendeu, em dezembro do ano passado, Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei. A prisão ocorreu sob ordens da polícia estadunidense e Pequim, em resposta, capturou dois canadenses sob suspeita de espionagem. Se a detenção é mais um casode tráfico de drogas ou uma mensagem de que a China ainda espera que Meng retorne livre a seu país, não se sabe. O que fica aparente é que o clima entre Xi Jinping e Justin Trudeau não deve melhorar tão cedo.


A Suprema Corte da Suécia decidiu por bloquear a extradição de um ex-funcionário público procurado por Pequim sob a acusação de desvio financeiro. Para a corte, por um lado, havia indícios de que Qiao Jianjun de fato pudesse ter praticado crimes na China, e, por outro, havia também o risco de ele ser perseguido em seu país de origem por suas atividades políticas — uma maneira de tratamento que viola a Convenção Europeia dos Direitos Humanos (a qual, dentre outros, proíbe a tortura e protege o direito a julgamentos justos). Pequim ainda não respondeu à decisão de Estocolmo, mas se a relação entre os dois países já não era ótima — lembram-se do caso do dissidente Gui Minhai? —, a tendência é que, agora, fiquem ainda piores.

Para ler tomando um cafezinho: um texto controverso do professor de justiça criminal Pi Yijun fala sobre a inexistência de uma sociedade civil na China, e coloca a culpa nas costas da tradição confucionista. Para o professor, os ditames de Confúcio teriam alimentado um ciclo vicioso de individualismo (mesmo que estendido à família nuclear) e aberto espaço para práticas autoritárias no país desde a dinastia Han.


David Brophy escreveu para o Made in China Journal sobre as palavras que fazem parte das discussões acerca do islã e de Xinjiang. O artigo de opinião discute o papel do governo em modernizar o islamismo no país, de modo a deixá-lo mais parecido com o que é considerada cultura tradicional chinesa, bem como o uso de linguagem focando na questão muçulmana dos uigures (uyghurs). Muitos da minoria afirmam que a questão temmais a ver com identidade nacional do que com religião. Além disso, o texto traz uma boa discussão sobre a ideia de “radicalização” muçulmana, a islamofobia após o 11/9 que tomou conta e como isso se encaixa nessa questão toda da região. Imperdível.


Você lembra quando a maior estrela chinesa sumiu? A atriz Fan Bingbing ficou um tempo longe depois de certos comentários polêmicos. Seu ex-tutor de inglês escreveu sobre os 9 meses, uma década atrás, em que vislumbrou o mundo das celebridades chinesas e do complexo industrial cinematográfico do país.


Iniciativas feministas que tomaram o mundo nos últimos tempos, como a campanha #MeToo, provocaram, na China, dentre outros efeitos, a ascensão do interesse popular pela história das mulheres no cinema do país. Em um trabalho artístico e historiográfico de quase duas décadas, a diretora e professora da City University of Hong Kong Louisa Wei recupera as obras e contribuições das mulheres para a evolução da sétima arte no Império do Meio. Apesar do avanço, as cineastas chinesas ainda enfrentam grandes desafios em suas carreiras numa indústria que, até pouco tempo atrás, mal reconhecia seus trabalhos — com baixo financiamento e poucas opções de salas de exibição, ainda é marcadamente difícil para mulheres se estabelecerem na indústria.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Mulan: o trailer de Mulan já tem dado o que falar na internet chinesa, com sentimentos mistos. Há quem tenha apreciado o caráter mais realista do filme, e quem tenha criticado a Disney por tirar a “magia” do original e basear a história no Sul da China, contrariando o enredo que se passa no norte do país. Confira.

The Case for Humanity: o professor Xu Zhangrun, da Tsinghua, é um famoso jurista, e que recentemente criticou o governo e foi suspenso (já falamos aqui sobre ele). O China Heritage publicou excertos de seu novo livro de textos, chamado The Case for Humanity Over Bastardry. Os textos refletem sobre humanidade e decência.

Sudeste Asiático: mais um podcast da Brookings nesta edição. Este aqui é sobre como a relação EUA-China afeta os países do sudeste asiático (e vice-versa).

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