Recentemente, o CRISPR ganhou destaque na China pela modificação genética de bebês— com muita discussão na comunidade médica chinesa e no resto do mundo. Contudo, a técnica de edição genética CRISPR, que permite deletar certas partes do DNA, tem ganhado destaque principalmente na área da agricultura e pode significar uma revolução na maneira de produzir alimentos. A China está lentamente se tornando líder, ultrapassando os Estados Unidos em produção acadêmica sobre o tema e com um número similar de patentes registradas. É também parte de uma preocupação do país com segurança alimentar.


Quem vigia os vigilantes? É a discussão que tem surgido após a Corte de Shandong ter condenado um professor à “lista negra” do crédito social por ter agredido fisicamente dois de seus alunos, além da punição no campo jurídico. A controvérsia jogou luz ao poder indiscriminado que o crédito social pode conferir às autoridades para além de instituições tradicionais que seguem ritos e leis conhecidos. Após a polêmica, a Corte voltou atrás e retirou o professor da lista.


As recentes tensões entre Pequim e Taipei escalaram mais um degrau já neste mês com o anúncio da proibição de viagens de lazer individuais da China continental para Taiwan. Com exceção de viagens em grupo e de negócios, fica banido o turismo individual para a ilha governada por Tsai Ing-wen.


Para a empresa que se tornou expoente do desenvolvimento tecnológico da China, o tempo está passando rápido e as notícias não são boas. Nos próximos dois meses, a Huawei deve lançar o Mate 30 Pro, seu novo smartphone de topo de linha. Desde que Washington, contudo, adicionou a gigante à lista de corporações que representam um risco à segurança nacional dos Estados Unidos, não está claro se o aparelho terá ou não acesso ao Android, sistema operacional desenvolvido e fornecido pela estadunidense Google. Em caso negativo, seria a Huawei capaz de fornecer, por conta própria, uma solução ao problema? Resta esperar para ver.


Elon Musk, o multibilionário por trás da Tesla, anunciou que levará, ainda neste mês, a Boring Company, sua startup de transporte e construção de túneis, à China. Musk discursará na World Artificial Intelligence Conference, uma conferência internacional sobre inteligência artificial que ocorrerá em Xangai entre os dias 29 e 31 de agosto, e deve aproveitar a oportunidade para lançar oficialmente a empresa no país. As boas relações do investidor com a China não são de hoje. Em janeiro, Musk declarou que a primeira fábrica da Tesla fora dos Estados Unidos seria construída no Império do Meio. Dias depois, em encontro com Li Keqiang, primeiro-ministro chinês, o empresário afirmou amar a China e querer visitar o país com mais frequência. Em resposta, Li imediatamente lhe ofereceu o green card chinês — uma autorização de residência permanente.

A partir de 2020, a China acrescentará 10% de álcool à gasolina — um passo que,  por um lado, promete gerar impactos positivos na guerra contra a poluição no país, mas, por outro, pode surtir efeitos negativos em um país do outro lado do mundo: o Brasil. A ala ruralista comemora o novo fôlego ao mercado de etanol, mas há quem tema a expansão de área desmatada principalmente na região do Matopiba. Para saber mais, prepare um cafezinho e leia a excelente reportagem de Sarita Reed e Vinicius Fontana para o Diálogo Chino.


O pesquisador Christopher Rhodes escreveu sobre como o investimento chinês na África está trazendo consequências inesperadas para o governo chinês: muitos migrantes chineses estão se convertendo para o cristianismo evangélico. Ele foi também convidado para falar do tema num episódio do The China in Africa Podcast. Igrejas em cidades no leste africano estão até incorporando serviços de missa em mandarim e esse pessoal está levando a popularização da religião de volta para a China — um país em que religião é um tópico muito sensível.


Em um rápido tensionamento da guerra comercial sino-estadunidense, Donald Trump anunciou a imposição de novas tarifas sobre 300 bilhões de dólares em importações de produtos chineses. A decisão, que entra em vigor no início de setembro, sucede uma rodada pouco produtiva de negociações entre Washington e Pequim sobre o conflito. Pelo Twitter, o presidente ainda acusou a China de não cumprir com um suposto acordo que previa que o Império do Meio compraria mais produtos agrícolas dos Estados Unidos e, ademais, de não interromper a venda de fentanil — um opióide comumente consumido em combinação com cocaína e heroína — ao país norte-americano.

O mercado financeiro reagiu mal à declaração de Trump. O índice S&P, baseado nas capitalizações de mercado de 500 grandes empresas multinacionais com ações em NasdaqNYSE e Cboe BZX Exchange, caiu após o anúncio das novas tarifas. Na Ásia, o cenário não foi diferente: tanto no Japão quanto em Hong Kong, as bolsas de valores sofreram perdas importantes. O governo chinês, é claro, também não ficou feliz. Wang Yi, ministro das Relações Internacionais da China, disse a jornalistas em Bangkok que “adicionar tarifas definitivamente não é a maneira correta de resolver desgastes econômicos ou comerciais”. Pequim ainda negou ter se comprometido com comprar mais produtos agrícolas estadunidenses — ao contrário disso, o país teria simplesmente dito que novas compras seriam resultado natural dos benefícios de um acordo comercial que, afinal, ainda não foi alcançado.

China Labour Bulletin — uma plataforma baseada em Hong Kong que registra protestos ocorridos na China Continental — relatou pelo menos três grandes protestos em diferentes cidades chinesas em decorrência de demissões em massa no setorautomobilístico (isso só na última semana de julho). Em Xangai, por exemplo, trabalhadores se reuniram para reivindicar salários atrasados, um montante de mais de 23 milhões de reais desde o início do ano, em frente à Eastone Automotive (上海蓥石汽车技术有限公司). A venda de carros no país tem caído rapidamente, e grandes empresas como Ford e PSA têm aumentado sua capacidade ociosa. Aqui, você pode ver no mapa quantidade, localização e reivindicações de diferentes protestos no país.


 Não são poucos os desafios para reformar o sistema público de saúde chinês — que não é gratuito. Apesar de 95% da população estar coberta por algum tipo de seguro (público ou privado), grande parte da cobertura é apenas para gastos básicos, e via reembolso. Quer dizer, caso você precise ir ao hospital, é necessário desembolsar da própria carteira e esperar o seguro devolver o dinheiro. Mesmo assim, o pagamento está longe de ser ideal: para residentes em áreas rurais, apenas 57% das despesas médicas costumam ser restituídas, um número bem aquém da média de 70% para residentes urbanos. Estima-se que uma das principais causas que levam uma pessoa à extrema pobreza no país seja, justamente, gastos inesperados relacionados à saúde.

Os desafios se concentram em quatro grandes frentes: como operar um sistema nacional de saúde em um país em que cada província possui um alto grau de autonomia fiscal; o abismo de acesso e qualidade a serviços de saúde entre os meios rural e urbano, limitações decorrentes do hukou e a inclusão de healthtechs de maneira sustentável em um mercado extremamente promissor. Em resposta a esses desafios, o governo lançou o Health China 2030. Você pode saber mais sobre esse plano aqui.


chinadialogue escreveu na sua newsletter sobre a indústria de animais de estimação na China. Em um mercado cada vez mais lucrativo (de cerca de 4,3 bilhões de dólares em 2010 para 28 bilhões em 2019), casos trágicos estão ocorrendo, como o de um canil que opera há 30 anos em Jiangsu, onde certificados de vacinação falsos podiam ser adquiridos para quem quisesse revender os animais por preços altos. Ainda não há regulação sobre maltrato de animais no país.


Que café o quê: a onda é bubble tea. Um texto bem interessante no Pandaily sobre Starbucks, Luckin Coffee (a rede de cafés meio aguados que está ganhando muito espaço no país) e a eterna discussão “café ou chá” no Império do Meio. Querendo ou não, beber café na China é ainda mais ligado à uma experiência cosmopolita —  com o design, estilo e talvez os posts nas redes sociais —  do que ao hábito. E é aí que entra o bubble tea, um mercado atingindo já números absurdos na China (previsões de rendimentos de 11 bilhões de dólares até 2021!) e que não precisa conquistar tanto os clientes, já que chá tem consumo garantido.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Top 10 de Zhang Yimou: prepare a pipoca e confira aqui a lista dos dez melhores filmes do polêmico diretor Zhang Yimou, um dos maiores nomes do cinema contemporâneo chinês.

Cruzeiro fora do armário: em junho, mais de 1.000 pessoas LGBTQIA+ da China embarcaram, junto a suas famílias e amigos, em um cruzeiro temático do sul do país ao Vietnã. Acompanhe o registro desta bonita viagem de aceitação.

Mais um top 10: dessa vez livros de 2019 para entender o meio ambiente e a China.

Cuidado, masculinidade frágil: conheça o belíssimo trabalho da pequinense Shang Liang sobre masculinidade tóxica na adolescência.

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