O mundo das startups chinesas não é para iniciantes. Imagine um app com mais de 100 milhões de usuários ativos mensalmente, mais de 3 bilhões de dólares em investimentos e que, de repente, da noite para o dia, suma das principais lojas de aplicativo do país. É o que está acontecendo com o Xiaohongshu —  a plataforma voltada para produtos de beleza importados, com foco em mulheres de 18 a 35 anos nas maiores cidades da China e que já foi a menina dos olhos do Alibaba e da Tencent. O Xiaohongshu foi retirado do ar pela Administração de Ciberespaço da China (CAC, em inglês) após centenas de usuários terem denunciado a plataforma por propaganda enganosa, produtos falsos e coleta excessiva de dados. A CAS também investiga a startup por não regular a plataforma contra casos de conteúdos “vulgares e sensíveis”.


Os protestos em Hong Kong seguem sem demonstrar sinais de apaziguamento. No último domingo (18), centenas de milhares de pessoas novamente tomaram as ruas da cidade e, sob chuva torrencial, denunciaram as supostas ingerências de Pequim sobre a região administrativa especial. Assim como previsto pelos organizadores da demonstração, porém, o dia foi, dessa vez, de paz. Ainda sim, dada a gravidade do cenário que se estabeleceu na cidade, cresce o número de residentes de Hong Kong interessados em se mudar para Taiwan. A ilha, uma democracia liderada por um governo não reconhecido por Pequim, já declarou que está disposta a ajudar o povo de Hong Kong, e em particular aqueles que se sintam perseguidos politicamente na cidade.


Muitas edições atrás, falamos sobre o B.A.T. — Baidu, Alibaba, Tencent. As três gigantes de tecnologia da China. Na época, especulava-se que o B poderia acabar virando uma junção do Baidu com a ByteDance, dona do app TikTok/Douyin. Bom, parece que isso está acontecendo — mais ou menos. No SupChina, uma matéria discute como o Baidu sofreu uma queda de nível em comparação às outras empresas, perdendo 40% do valor das suas ações no último ano. Assim, o autor pergunta: seria o momento de deixar o B com a ByteDance?

E se você acha um pouco confuso acompanhar o alfabeto das gigantes de tech do país, chegou a hora de preparar aquele cafezinho e ler esta excelente reportagem do Pandaily dissecando as atuações do Alibaba e da Tencent. Fala-se de pagamentos online, transporte compartilhado, serviços de entrega de comida, mapeamento, música… e a lista não termina aí.

O presidente Donald Trump decidiu adiar a implementação de parte da mais nova leva de tarifas sobre importações de mercadorias chinesas pelos Estados Unidos (que abordamos aqui). As novas cobranças, anunciadas no início do mês pelo presidente em Washington, deveriam entrar em vigor no dia 1 de setembro. Citando questões de saúde e segurança nacional, porém, Trump postergou para dezembro a implementação da medida sobre produtos como computadores portáteis, videogames e celulares móveis.

A resposta da China não foi fazer concessões aos estadunidenses. Pelo contrário, o Império do Meio reforçou sua determinação em retaliar contra o que considera uma violação séria da recente trégua comercial declarada pelos dois países durante o encontro da cúpula do G20 no Japão. Hua Chunying, uma representante do Ministério das Relações Exteriores chinês, confirmou, entretanto, que Pequim e Washington seguem mantendo relações de alto nível através de reuniões, ligações e cartas — declaração que acalmou os nervos dos investidores apreensivos com a escalada de tensão entre as duas maiores economias mundiais.


Uma história no mínimo curiosa entre a China e América do Sul: o Uruguai, conhecido por produzir alguns dos melhores cortes de carne bovina do mundo, está ficando sem o produto para consumo próprio. O motivo? A voracidade da China pela carne de Montevidéo é tão grande que mal sobra do alimento para os próprios uruguaios. E a solução? Importar a carne de relativa menor qualidade de grandes produtores como o Brasil e, em menor medida, Argentina e Paraguai. Apesar de interessante, o caso não surpreende: com o consumo de carne de boi em alta no Império do Meio, é natural a sua ascensão a um dos principais consumidores da proteína no mundo — e o famoso entrecôte uruguaio está na mira dos chineses.


A situação na Caxemira tem chamado a atenção de Pequim. Desde que a Índia infringiu o artigo 370 de sua Constituição (em que reconhecia as regiões de Jammu e Caxemira como áreas de status especial), a região em disputa entre Índia e Paquistão tem sofrido um verdadeiro apagão — moradores locais estão proibidos de deixar o território, sem acesso a internet, telefone e televisão. Mas não é nos direitos humanos que o Império do Meio está de olho: se a conjuntura piorar, os investimentos da Belt and Road Initiative (BRI) podem ser duramente afetados. Sabendo disso, Islamabad tem se aproximado cada vez mais de Pequim para fortalecer o Corredor Econômico China-Paquistão e ter mais influência sobre a região em disputa.

Tentativa de agradar o público da China continental, ou uma opinião pessoal legítima? É o que muitos têm se questionado desde que Crystal Liu Yifei (a atriz sino-americana que interpreta a mais nova edição de Mulan da Disney) declarou no Weibo seu apoio à polícia de Hong Kong — conhecida atualmente pelo uso excessivo da força nos protestos que já duram mais de quatro meses. Há quem esteja querendo boicotar o filme. Para outros, é preciso respeitar e apoiar a opinião da atriz. Diante desse Fla-Flu, vale ouvir o episódio da Wǒ Men Podcast sobre os desafios enfrentados por Hollywood para agradar ao mercado chinês.


Como falamos na última edição da Shūmiàn, algumas marcas internacionais estão causando espanto na China continental ao tratar Hong Kong, Taiwan e Macau como países independentes. Nessa semana, foi a vez de Swarovski, Givenchy, Calvin Klein e Samsung, entrarem para o hall da fama (ou da vergonha), e pelo mesmo motivo. Novamente, que timing!


“Be water, my friend” — o famoso monólogo de Bruce Lee virou espetáculo de dança contemporânea em Hong Kong. O ator sino-americano nascido em HK abriu portas em Hollywood para minorias e virou figura-chave na divulgação das artes marciais chinesas, e agora também serviu de inspiração com a sua filosofia sobre como devemos ser mais como a água ao enfrentar a vida. E, de novo, que timing: a filosofia também tem sido usada por manifestantes dos protestos em Hong Kong como motivação.


Jill Tang é a criadora do Ladies Who Tech, uma organização na China focada em discutir gênero e diversidade na área da tecnologia e empreendedorismo. Ela esteve no podcast Digitally China para falar do tema, de como quebrar estereótipos e o papel da nova geração no mercado chinês. Quer descobrir como uma empresa multinacional pode ser mais atenta a esses temas na China? Ouve lá.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Oriente Médio: o pesquisador Jon Alterman falou no podcast China Power do CSIS sobre a presença e a influência da China no Oriente Médio.

De mãe para filho: É difícil descrever Luo Yang. Suas fotografias transmitem, na maior parte do tempo, uma sensação de abandono e determinação por pertencer a algum lugar. Em um de seus trabalhos mais famosos, Luo explorou esses sentimentos com os laços entre uma mãe e seu filho — tudo isso com um toque de inocência e, por que não, de alegria.

Aumente o som: hora de curtir o pop etéreo da banda taiwanesa 邱比 CHIU PI (e com legendas em inglês!).

A masculinidade é frágil, e é bela: de Chengdu para o mundo, Yan Yufeng brinca com a nudez e a masculinidade em ensaios incríveis. Confira aqui.

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