É quase exaustiva a quantidade e constância da discussão do modelo de desenvolvimento chinês e a impossibilidade de um consenso. Mas e se a China se encaixar em todos os modelos de desenvolvimento? É o que propõe Martin Raiser do Banco Mundial, no site da Brookings. Ele fala bem resumidamente de investimento estatal, capital humano e ascensão da classe média para mostrar que o que estamos vendo se encaixa em teorias de desenvolvimento tradicionais, apesar das suas inovações institucionais.


Falando ao Comitê Central do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping afirmou que o blockchain tem uma ampla gama de possíveis aplicações na China e que, portanto, o país deve aproveitar as oportunidades oferecidas pela tecnologia. “Devemos considerar o blockchain como um avanço importante para inovações independentes em tecnologias essenciais”, completou Xi. No dia seguinte, uma nova lei de criptografia foi aprovada no país. Com o objetivo de enfrentar os muitos desafios regulatórios e legais emergentes em casos de uso de criptografia comercial no país, a lei deve entrar em efeito já no início de 2020. Coincidentemente ou não, o valor do bitcoin disparou após as sinalizações vindas da China. Criptomoedas, porém, seguem banidas no país, e outros fatores podem estar por trás das recentes flutuações no valor do meio de troca digital.


Assim como em agosto, os lucros das indústrias chinesas registraram, no mês passado, nova queda. De acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas chinês, a redução foi, desta vez, de 5,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, ainda em comparação anual, a queda é de 2,1%. O caso da indústria automobilística é particularmente preocupante. Em retração há 15 meses consecutivos, o setor — que produz não somente para o mercado doméstico mas também para exportação — vem sofrendo de maneira intensa os impactos da guerra comercial com os Estados Unidos. Como reitera um comentário da consultoria ZoZo Go, os tempos são de incerteza. “A confiança do consumidor é fraca. Há um sentimento nebuloso de não saber o que vem a seguir”, completa.

Na última quinta-feira (24), o presidente brasileiro Jair Bolsonaro desembarcou em sua primeira visita oficial à China. Na chegada, questionado sobre estar visitando uma nação comunista, Bolsonaro respondeu: “Estou em um país capitalista”. Recebido por Xi Jinping e demais lideranças chinesas no dia seguinte no Grande Salão do Povo, Bolsonaro reiterou que o Brasil quer refundar as relações com a China. Em resposta, ouviu que o gigante asiático espera prosseguir na rota aberta há 45 anos, quando os dois países estabeleceram relações diplomáticas oficiais.

O tom da viagem, que durou apenas dois dias, foi amistoso. O líder brasileiro se disse feliz com a maneira como foi tratado na China e convidou Pequim a investir em seu país — citando a cessão onerosa do petróleo e a privatização de empresas estatais como oportunidades de negócios para os chineses no Brasil. Um artigo publicado no estatal China Daily, por sua vez, reforçou o desejo do Império do Meio em fortalecer as relações sino-brasileiras e ressaltou a importância de que os dois países ajam conjuntamente em favor da manutenção do multilateralismo e do desenvolvimento internacional. De uma perspectiva econômica, porém, os resultados concretos da visita não parecem ter sido muitos.


Já falamos em algumas edições passadas sobre a presença da China na ONU (tem até texto  no site) — especificamente que o diretor da FAO, organização responsável por alimentação e agricultura dentro do sistema das Nações Unidas, é chinês. Apoiado pelo Brasil, o qualificado Qu Dongyu ganhou a eleição com 108 dos 191 votos e parece que nos bastidores foi uma prova da influência chinesa no multilateralismo. A matéria da Foreign Policy conta como os EUA se atrapalharam na corrida pela vaga, apesar de avisos de diplomatas estadunidenses sobre a crescente influência chinesa em agências e órgãos normalmente liderados por pessoas apoiadas por Washington. Além disso, a RPC teria perdoado dívidas com países e levado líderes para viagens de negócios promissoras durante a campanha – cá entre nós, prática comum e histórica em algumas organizações multilaterais.


Construção em países em conflito não é fácil. A China está sentindo na pele com a sua experiência no Mianmar (antiga Burma), que faz fronteira com a província chinesa de Yunnan, no sul chinês. O país enfrenta conflitos étnicos e religiosos há anos e desde 2011, com o fim do governo militar, a questão só piora. Pela proximidade e possibilidade de escoamento de produção chinesa para o Oceano Índico, o país é chave para o governo chinês na Belt and Road Initiative. A criação do corredor econômico entre os dois países foi estabelecida em 2018, mas a situação anda tensa. Conflito armado e opinião popular negativa estão impedindo o desenvolvimento do projeto, que inclui ferrovias, zonas industriais, portos e represas.

De pôsteres de propaganda do passado a paradas militares do presente, a imagem do soldado do Exército de Libertação Popular molda a percepção do homem ideal na China. Por muito tempo, os corpos e mentes vigorosos desses soldados — combinados a uma feroz lealdade ao Partido Comunista — foram projetados pelo estado como as virtudes masculinas definitivas. Uma nova geração de artistas, porém, vem ressignificando o que é ser um homem no gigante asiático. Por um lado, celebridades como Lu Han e Roy Wang Yuan transgridem o arquétipo do “homem forte chinês” através de suas figuras andróginas e afeminadas. Por outro, artistas como Musk Ming disputam a própria representação de soldados do país — que, em sua obra, são representados como jovens inocentes e sensuais. Nem todos podem aprovar, mas, ao que parece, a masculinidade na China caminha em ritmo determinado rumo a importantes mudanças.


O que significa ser chinês? Uma pergunta que tem estado cada vez mais em voga no campo de futebol na China. Afinal, o time nacional teve, pela primeira vez, um estrangeiro naturalizado chinês sem ter qualquer ancestralidade chinesa. E sabe de onde ele veio? Sim, do Brasil. Trata-se do jogador Elkeson. A convocação de Ai Kesen (seu nome chinês), se por um lado dá uma força muito bem vinda à seleção que desde 2002 não pisa os pés em uma Copa do Mundo, por outro tem causado um leve desconforto entre os fãs chineses. “Ele nunca será chinês” é um comentário comum na internet do Império do Meio, “você [Elkeson] não ama a China, você ama é o Yuan chinês”. Elkeson teve de abrir mão da cidadania brasileira já que, pela constituição chinesa, é proibido ter dupla nacionalidade.


Para alguns, pode haver dúvida sobre quem terá o monopólio da infraestrutura 5G no mundo. No entanto, quando o assunto passa para quem terá a maior concentração de usuários, não há dúvida de que será a China — mesmo em termos relativos. Estima-se que até 2025 cerca de 40% dos usuários de 5G do mundo serão chineses. Pequim tem feito um esforço hercúleo para expandir a rede de modo que, até o final deste ano, o país conte com mais de 130.000 bases de 5G espalhadas pelo território nacional.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Por que não? Assista à história de Siying, uma chinesa que perdeu a visão aos 16 anos e decidiu viajar, sozinha, para a Coreia do Sul, contrariando as percepções comuns na China sobre deficientes visuais.

O verdadeiro hipster> A Shūmiàn tem vários xodós — os tênis Feiyue são um deles. Aqui, você pode saber a história real oficial da marca chinesa e sua eterna guerra de propriedade intelectual contra seu homônimo francês.

Quê? Essa história doida de um cara que contratou um assassino de aluguel que por sua vez decidiu subcontratar outro por um preço menor e ficar com o lucro que por sua vez fez a mesma coisa até que tinha acontecido nada menos que cinco vezes. Digno de filme dos irmãos Coen.

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