Foto em cores de sequência de bandeiras de Taiwan em uma rua com pedestres e com lanternas chinesas ao fundo.

Foto de Derek Tsai: https://www.pexels.com/photo/taiwanese-flags-and-lanterns-in-new-taipei-alley-36951290/

Edição 389 – Após encontro com líder da oposição, Xi fala em retomar laços com Taiwan

Política e economia

Talita+Gui (taiwan) > Diálogo quase promissor. Depois de receber a líder do principal partido de oposição de Taiwan, o presidente chinês Xi Jinping afirmou que Pequim retomará “alguns laços” com a ilha. Como exemplos, o governo citou voos diretos interestreito e comércio de produtos de aquicultura taiwaneses. De acordo com relatos publicados pela imprensa local e internacional, durante um encontro na última sexta (10), Xi e Cheng Li-wun, líder do Kuomingtang, pediram paz entre Taipei e Pequim, mas não deram detalhes sobre como isso se daria. Ainda que haja simbolismo nas declarações e no gesto dos dois líderes, um sinal de cautela aparece quando o órgão taiwanês responsável pelas relações com a China continental afirmou que se trata apenas de transações políticas entre dois partidos. Taiwan é hoje governada pelo Partido Democrático Progressista, opositor ao Kuomintang e que tradicionalmente defende a independência entre Taipei e Pequim. Outro sinal de que uma verdadeira paz interestreito está longe da realidade foi a afirmação de Xi de que Pequim nunca vai tolerar a independência de Taiwan. 

Caça High Tech. O Ministério de Segurança Pública da China anunciou um plano para combater crimes contra a  vida selvagem. O foco, de acordo com o China Daily, é combater a caça ilegal com uso de armas e drones, envenenamento de pássaros e esquemas digitais de comercialização de espécies protegidas. Esse é um esforço que já vinha ganhando escala, onde, só entre agosto e dezembro de 2025, foram mais de 9.700 casos criminais registrados, incluindo milhares ligados principalmente a aves. Mais do que uma agenda ambiental, o tema vem sendo tratado como uma questão de governança e segurança ecológica. O uso de big data, operações coordenadas entre províncias e o foco em cadeias completas de crime são anunciados pelo governo como uma forma de estruturar respostas mais sistêmicas ao problema. Isso inclui tanto a repressão direta quanto o monitoramento de mercados online e de rotas de circulação, áreas nas quais o comércio ilegal de fauna vem se expandindo nos últimos anos. Nesse sentido, o combate à caça ilegal passa a refletir também a adaptação das ferramentas estatais a dinâmicas mais complexas de crimes digitais.

Internacional

Muito além da disputa comercial, as relações entre EUA e China ganharam um novo tópico. Pequim pediu que as autoridades estadunidenses apurem a morte de um pesquisador chinês nos Estados Unidos. Danhao Wang, que pesquisava semicondutores na Universidade de Michigan, morreu logo depois de ter uma conversa com agentes federais. De acordo com os relatos, a conversa teria sido um questionamento hostil. O caso permanece com muitas lacunas sobre a causa da morte e a conversa com as autoridades. Até o momento, a imprensa afirma que Wang teria caído de um dos prédios da instituição. A universidade, por sua vez, fala na investigação de um possível caso de suicídio. As autoridades chinesas, por sua vez, pediram que seus nacionais na condição de estudantes nos EUA, elevem preocupações com segurança. 

Ainda sobre as relações, a decisão de Trump de bloquear o Estreito de Ormuz pode afetar o possível encontro entre Xi Jinping e o republicano. Pequim disse publicamente que é de interesse mundial que o Estreito permaneça aberto. A China é uma das compradoras do petróleo Iraniano e de outros países do Oriente Médio e Ormuz é ponto crucial para o escoamento de energia para a Ásia do Leste. A importância disso é evidenciada por uma reportagem do South China Morning Post, que mostra que uma empresa chinesa tentou usar IA para monitorar o padrão de bombardeamentos dos EUA na região. Aguardaremos os próximos capítulos desse confito. 

Onde o legal se confunde com o ilegal. Investigações recentes mostram o avanço de organizações criminosas ligadas à China no Chile. Os grupos operam principalmente a partir de negócios legais. No país latino-americano, é cada vez mais comum a polícia encontrar karaokês, cassinos e centros comerciais como fachada para esconder atividades criminosas, como o tráfico de pessoas, drogas e esquemas financeiros. Em alguns bairros em Santiago, essas estruturas já se tornaram parte da economia local. Em vez de violência ostensiva ou disputa territorial aberta, essas redes apostam em infiltração econômica, discrição e uso intensivo de tecnologia, desde cultivo indoor altamente sofisticado até fraudes digitais transnacionais. O resultado é um tipo de crime organizado que se mistura com cadeias produtivas legítimas e desafia respostas tradicionais de segurança pública. Para as autoridades chilenas, o problema deixa de ser apenas policial e passa a exigir leitura financeira, regulatória e até diplomática entre os dois países.

Sociedade

IA bom vs IA mau. As controvérsias envolvendo inteligência artificial são inúmeras, mas dois casos recentes de uso da tecnologia na China evidenciam esse contraste. Primeiro, a história de uma empresa que foi criticada por usar dados de um ex-funcionário para emular que ele seguisse trabalhando. Em outro extremo, uma família usou a ferramenta para confortar uma senhora que perdeu seu filho único. O caso laboral está ligado a uma empresa de jogos na província de Shandong, no norte da China, que criou um “trabalhador digital” movido por IA, usando dados de um ex-funcionário após sua demissão. O avatar, que substitui um profissional da área de Recursos Humanos,  é responsável por executar tarefas básicas, como responder a perguntas, agendar compromissos e criar apresentações em PowerPoint e planilhas. O caso do IA “fofinho” também aconteceu na província de Shandong. Uma família contratou uma equipe de tecnologia para criar uma versão artificial de um homem que morreu no ano passado em um acidente. A ideia era ajudar a mãe octogenária a manter contato com o filho morto.

Zheng He

De rebelde a mascote: reportagem do The New York Times conta como um dos principais escritores chineses, Lu Xun, foi adotado como mascote pelo PCCh.

A solução para todos os males: a Folha explica como a moda de beber água quente pela manhã traz benefícios para a saúde. E você, já aderiu ao hábito? 

Comédia em alta: reportagem da Sixthtone conta como o gênero comédia aparece em alta na província de Yunnan, no sul do país.

 

Uma conversa saborosa com o pioneiro e renomado chefe Jereme Leung sobre a culinária chinesa.