A participação de Hong Kong na Belt and Road Initiative

A região administrativa especial avança como um ponto estratégico para a implementação da estratégia global chinesa

Créditos da imagem: Ruslan Bardash on Unsplash

Por Brunha Pinheiro

Aqui na Shūmiàn já abordamos, em diversas ocasiões, as tensões entre a região administrativa especial de Hong Kong e a China Continental, bem como sobre os projetos chineses envoltos na Belt and Road Initiative (BRI) para o mundo. Estes dois temas quentes da atualidade estão influenciando o sistema internacional, levando a um novo olhar sobre Hong Kong, relembrando antigos protestos (como a Revolução dos Guarda-Chuvas) e a forte presença da China no mundo e, em especial, em suas regiões administrativas.

Mesmo em meio ao fogo cruzado entre cidadãos de Hong Kong e Pequim, o governo de Hong Kong se prepara para se alinhar ainda mais aos ideais chineses através da BRI. No mês de setembro deste ano, nos dias 11 e 12, ocorrerá na cidade o Belt and Road Summit, organizado por seu governo local. Neste encontro anual, mais de 5000 oficiais de governo e líderes de negócios são aguardados para debater projetos a serem implementados neste grande projeto global.

Para o evento deste ano, Hong Kong dividiu a Belt and Road em 5 fontes: 1. Laços Comerciais e Econômicos; 2. Serviços Financeiros; 3. Logística Internacional, Transporte e Transporte; 4. Inovação e Tecnologia; e, 5. Intercâmbios entre pessoas. Dentro dos dois dias de reuniões, debates e palestras, grandes nomes da política internacional – principalmente asiática – estarão presentes no evento, buscando dialogar com empresários e entes governamentais para ampliar as ramificações de ações e os projetos da iniciativa.

Hong Kong é vista como estratégica dentro da BRI, especialmente devido aos novos investimentos na Greater Bay Area, envolvendo Guangdong-Hong Kong-Macau, a qual tem se desenvolvido massivamente nos últimos anos. Além disso, é claro, com a aproximação do fim do status de região administrativa especial de Hong Kong (previsto para 2047), a China aprofunda cada vez mais suas políticas no local, com uma base de apoio da Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

Vale aqui destacar que dentro do próprio encontro da BRI de Hong Kong, Lam figura-se com frequência como uma das principais palestrantes, formulando a política local e estando ao lado das novas ideias de projetos para este trabalho a longo prazo. O próprio governo pontuou em relação à iniciativa a sua importância e estratégia, através do Acordo entre a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong para o Avanço da Participação Plena de Hong Kong e a Contribuição para a Iniciativa Belt and Road com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. Assim, a ideia de Hong Kong é ser o ponto estratégico de investimento logístico e de encontro de negócios para a Belt and Road Initiative, para comércio e investimentos, ou, nas palavras do próprio governo, fazer o melhor uso da posição de Hong Kong como centro de serviços profissionais.

Deste modo, dado tanto o posicionamento de Hong Kong quanto suas crises atuais de insatisfação política, a segurança será um ponto altamente reforçado para o encontro da Belt and Road do mês de setembro. Muitos policymakers, chefes de Estado, investidores, pesquisadores e desenvolvedores de projetos aliados à BRI estarão presentes na ilha e seus entornos conversando no Centro de Convenções e Exibições de Hong Kong – certamente atentos aos desdobramentos das reivindicações populares já altamente conflitantes que assustaram até mesmo no período do G20, mas, acima de tudo, aguardando novos andamentos ainda mais consolidados para a Nova Rota da Seda Chinesa.

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