A gamificação do crédito social é o tema da matéria da Rui Zhong sobre a percepção do público chinês de que vencer no sistema, agindo como se a pontuação fosse parte de um jogo, talvez seja mais fascinante do que se engajar em discutir a coleta de dados e a privacidade do cidadão nos apps. Por enquanto, não existe uma versão nacional, mas sim diversos produtos de empresas privadas que funcionam quase como redes sociais. Vai jogando aqui e jogando ali, mas já se acostumando para a versão nacional a ser lançada — quem sabe — ano que vem.

Falando nisso, saiu um artigo acadêmico sobre a criação de uma civilização digital que estaria surgindo na China. Os autores investigam o discurso sobre civilização digital e o seu papel no controle social no país. E também está disponível o vídeo da palestra que ocorreu no CSIS (Center for Strategic & International Studies) sobre o ecossistema de inovação em inteligência artificial na China. Tem 1h30min de duração.

Por fim, recém-saído do forno, um relatório produzido pelo pessoal em Stanford para o projeto DigiChina. É a primeira parte, focada no papel do Estado para o desenvolvimento de Inteligência Artificial no país. Inclui análises de 14 especialistas.


Acabou na última quinta-feira a 19ª Sessão do Comitê do Partido Comunista da China, que aconteceu entre os dias 28 e 31 de outubro. Dentre os principais temas abordados durante o encontro figuram discussões sobre como aprimorar o processo de modernização do sistema e capacidade de governança do país. Reflexões sobre a importância de reformas econômicas ficaram longe dos holofotes. Por outro lado, a importância do aprendizado do pensamento de Xi Jinping — o já famoso “socialismo com características chinesas para uma nova era” — marcou o tom da ocasião.


Como anda o soft power online chinês? Domesticamente, anda muito bem, obrigada. Internacionalmente, no entanto, é sabido que a narrativa contada por Pequim sobre qualquer assunto que envolva a China é, no geral, muito pouco convincente. E é diante desse desafio que diversas lideranças políticas, embaixadas e diplomatas chineses têm criado perfis no Twitter para ajudar a mudar esse cenário. Segundo a plataforma, há mais de 3,6 milhões de tweets identificados como uma operação de informação liderada por Pequim. Os “tweets oficiais” mostram uma atitude cada vez mais propositiva (e não mais apenas reativa) do Império do Meio na internet. Agora, será que vai funcionar? Há quem já diga que não.


As três maiores operadoras móveis da China — todas estatais — acabam de lançar ao público uma das maiores redes 5G do planeta. Além de conexões mais velozes para consumo diário de dados, o 5G também é fundamental para setores emergentes da quarta revolução industrial. Daí, portanto, a relevância da luta de Pequim pela liderança mundial na tecnologia. As oportunidades são muitas: a instalação e expansão da rede doméstica já geram, por conta própria, grandes volumes de investimentos no país. No exterior, o sucesso chinês no setor irá depender, porém, da aceitação internacional das tecnologias e empresas do país. Para o importante mercado indiano, por exemplo, a entrada do 5G chinês representa um ganho de custos com significativas implicações estratégicas e de segurança.

Como já se tornou costume, a guerra comercial sino-estadunidense marcou presença nos principais assuntos internacionais da semana no gigante asiático. Desta vez, Donald Trump afirmou que um acordo comercial entre China e Estados Unidos é iminente — restando apenas a tarefa de escolher um lugar que possa sediar sua cerimônia de assinatura. O Ministério do Comércio chinês reforçou os novos avanços nas negociações entre os países. “Os dois lados conduziram discussões sérias e construtivas sobre como abordar adequadamente suas principais preocupações”, completou o órgão em comunicado.

Nem todos os sinais, porém, apontam para a aproximação da conclusão do conflito. Nos EUA, por exemplo, milhares de empresas seguem entrando com novos pedidos de exclusões das taxas impostas pela administração Trump a importados chineses. Já a China, por sua vez, obteve na Organização Mundial do Comércio autorização para impor sanções a 3,6 bilhões de dólares em produtos estadunidenses. A decisão — fruto de um caso iniciado há anos por Pequim contra Washington no órgão internacional — deve alimentar o distanciamento do país norte-americano com a OMC e, é claro, dificultar negociações comerciais com o Império do Meio.


Sob promessas de superação de disputas políticas e comerciais, representantes da China e dos membros da ASEAN se comprometeram, em fórum sediado na Tailândia, com o fortalecimento da integração econômica entre suas nações. Se confirmada, a proposta de uma Parceria Econômica Regional Abrangente — que incluiria, além da China e da ASEAN, outros cinco países da região — pode se consolidar como um dos maiores blocos comerciais do planeta. O caminho para a cooperação, porém, não será fácil: sob intensa disputa por vários dos países presentes no encontro, o Mar do Sul da China segue sendo uma fonte de instabilidade do sudeste asiático.

Dia dos Solteiros na China — ou a maior festança de compras do mundo — terá Taylor Swift em sua noite de gala em Xangai (10). Para quem não mora no Império do Meio e não conhece o 11/11, como é popularmente conhecido, trata-se de um dia em que a gigante de e-commerce Alibaba libera descontos imperdíveis na plataforma e as pessoas vão à loucura — como se fosse um aniversário online dos Supermercados Guanabara. Não é a primeira vez que o Alibaba chama celebridades internacionais para o evento: David Beckham, Mariah Carey, Kevin Spacey e Nicole Kidman já fizeram parte da festa. Ano passado, o Alibaba lucrou 30 bilhões de dólares neste dia. O 11/11 é quase como um feriado, e há várias empresas de e-commerce que aproveitam a onda.


Falando em compras, há mais chineses do que estadunidenses no topo da riqueza do mundo (os famosos 10%). Mais detalhes e outras coisas, estão disponíveis no Global Wealth Report — relatório da Credit Suisse sobre 2019.


O movimento Zero waste (“Desperdício zero”, em português) tem ganhado cada vez mais adeptos no país que não apenas possui a maior população do mundo, mas também  maior volume de lixo do planeta. Estima-se que a China produza cerca de 10 bilhões de toneladas de resíduos sólidos anualmente, e que cidades como Ordos (Mongólia Interior), Pequim, Xangai e Guangzhou têm liderado o front da poluição, por motivos diferentes — Ordos por lixo industrial, e as demais por lixo hospitalar. Para frear esta trajetória não muito promissora para o meio ambiente, iniciativas tanto do governo central quanto da sociedade civil têm ganhado espaço nas maiores cidades.

No início de 2019, a administração central publicou um plano ambicioso para implementar “cidades com desperdício zero”, começando pelo Cinturão Econômico do Rio Yangtze (YREB, na sigla em inglês) e a Greater Bay Area. O objetivo é que as cidades pré-selecionadas reduzam a zero o volume de lixo industrial, e que reaproveitem 100% os resíduos agrícolas.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Escrever na China: entrevista na The Atlantic com a escritora Jung Chang (de “Cisnes Selvagens”, “Mao — A história desconhecida” e “A Imperatriz de Ferro”), na qual ela conta a sua experiência de ser escritora na China, além de ser uma das precursoras de escrever sobre o país para o Ocidente, e como ela enfrentou os críticos e o governo.

Hoje é dia de fast-food: A Associação de Culinária da China publicou uma lista com os 70 melhores fast-foods do país. O WhatsonWeibo selecionou os 11 melhores dentre eles. Tem desde KFC a restaurante com logo que parece o Bruce Lee.

Prepare os fones de ouvido: O ritmo meio folk, meio pop rock da 老王樂隊 (“Banda Lao Wang”, tradução nossa) já virou uma queridinha da Shūmiàn. Aumente o volume, aproveite o clipe maravilhoso e entre para o fã-clube.

Mindfulness: As ilustrações de Ji Qiong são carregadas de influências mitológicas e taoístas. A artista nascida em Dalian te convida para uma viagem em busca de si mesmo.

Da série “Quê?”: o famoso cantor da Mandopop JJ Lin foi internado no hospital de Zhenjiang e parece que itens dele estavam sendo vendidos pelo WeChat. Entre os bens que podiam ser adquiridos em leilão estavam seringa e bolsa de soro. O hospital investiga o caso.

Assine a nossa newsletter!

%d blogueiros gostam disto: