Foi uma semana agitada para a área de tecnologia na China (mas qual não é?). A ByteDance, atualmente a startup mais bem avaliada do mundo e dona do Tik Tok, ultrapassou a Tencent e a Baidu em lucro de propagandas digitais para o primeiro semestre de 2019. Ficou atrás apenas do Alibaba Group. Não parou por aí: a empresa também acabou de lançar o seu primeiro smartphone. Nem tudo são rosas para a dona do Tik Tok, já que o governo dos EUA está pedindo investigações do uso de dados pelo app, sob alegações de preocupação com segurança nacional.

promissora empresa de e-commerce Pinduoduo abriu os números do último trimestre e a coisa está feia. Foram quase 11 bilhões de dólares perdidos, principalmente na batalha contra a gigante Alibaba. A Pinduoduo virou uma sensação no ano passado, especialmente porque permite compras em grupo.


Há pouco tempo, conforme cobrimos aqui na Shūmiàn 书面, correram rumores de que a China estaria prestes a lançar sua própria criptomoeda (estatal, é claro). A informação foi prontamente desmentida, porém, e na última semana uma nova ofensiva lançada no país contra ofertas iniciais de moedas digitais traz de novo a pergunta: a China, afinal, ama ou odeia as criptomoedas? A resposta talvez se encontre na dualidade entre as oportunidades oferecidas pelo blockchain e os riscos de fraude associados à tecnologia.


Tudo que está ruim pode piorar, e a crise suína na China não é exceção: enquanto o preço da carne do animal segue aumentando no gigante asiático, especialistas afirmam que não há porcos no mundo em quantidade suficiente para satisfazer a demanda chinesa. À medida que as pessoas buscam por alternativas, ademais, possíveis substitutos (como carnes de outros animais) também passam a encarecer. O impacto da crise é tamanha que o índice de preços ao consumidor da China saltou para 3,8% no mês passado — o maior nível desde janeiro de 2012. Em combinação com um cenário econômico de desaceleração, o sentimento tanto entre consumidores quanto no mundo dos negócios, é claro, é de preocupação e pessimismo.


O resultado das eleições distritais em Hong Kong deu uma vitória esmagadora aos partidos pró-democracia, injetando novo fôlego aos protestos que ocorrem há mais de seis meses na cidade. Dos 452 assentos em disputa, 351 ficaram com representantes pró-democracia — um número três vezes maior em relação às últimas eleições de 2015. O resultado de 2019 também surpreende pela taxa de comparecimento às urnas: mais de 70% dos eleitores registrados votaram, um valor muito acima dos 47% da última eleição.

O Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yireagiu ao resultado declarando que “…Hong Kong é parte da China, não importa o que aconteça”

Um homem que alega ser um espião chinês entrou, recentemente, com pedido de asilo na Austrália. Wang “William” Liqiang teria dado às autoridades locais informações sobre operações em locais como Hong Kong e Taiwan, afirmando que ele estaria envolvido pessoalmente com trabalhos de espionagem. Em Sidney, Wang disse temer ser executado caso tenha de retornar à China. De acordo com a polícia de Xangai, porém, o suposto espião seria, na realidade, um homem desempregado de 26 anos da província de Fujian procurado por um caso de fraude. Condenado a mais de um ano de prisão por executar um golpe de quase 700 mil dólares americanos, ele teria fugido da China continental em abril deste ano portando documentos de identificação falsos rumo a Hong Kong e, posteriormente, Austrália.


Semana passada falamos da crescente violência e tensão em Hong Kong, que foi às urnas ontem em números recordes para eleger representantes locais. Enquanto isso, o Senado dos EUA aprovou um projeto de lei (Hong Kong Human Rights and Democracy Act) condenando “abusos de direitos humanos” e impondo sanções a quem violar as liberdades de Hong Kong. Além disso, propõe analisar se Hong Kong é “suficientemente livre” do governo de Pequim, conforme a legislação relacionada a comércio predispõe. Passou também o Protect Hong Kong Act, que diz respeito à exportação de armamentos não letais para a ilha. O governo chinês afirmou que vai retaliar caso o projeto vire lei.

As relações não pararam de amargar nesse fim de semana, quando o Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, falou em alto e bom tom na reunião do G-20 que “…os Estados Unidos são a maior fonte de instabilidade do mundo atualmente”. O tom, bem destoante de pronunciamentos oficiais, são mais uma reação clara ao crescente envolvimento estadunidense em questões sensíveis ao Império do Meio, como Hong Kong e Xinjiang. O normalmente comedido Wang não poupou palavras em denunciar o unilateralismo e protecionismo das terras de Trump.


Como a crescente influência econômica chinesa no Ártico altera a geopolítica dos atores regionais mais próximos e comunidades locais? A resposta não é fácil, mas pode começar por uma mudança de paradigma securitário na região, tradicionalmente focado em questões climáticas. Tendo os Estados Unidos e a Rússia como membros permanentes do Conselho do Ártico e o contínuo interesse da China na região — de 1925 ao white paper da política externa chinesa para a área polar — a região está cada vez mais em discussão dado os seus ativos energéticos e minerais, além de possibilitar novas rotas marítimas. Em um artigo publicado pela Asia Dialogue, a pesquisadora Sanna Kopra vai a fundo nessa questão e nos explica porque isso importa para o mundo. Uma leitura boa para se ter tomando aquele cafezinho.

O campus da Universidade de Nova Iorque em Xangai adicionou discretamente, no ano passado, um curso de educação cívica chinesa ao seu currículo. Instaurada sob pedidos do governo chinês, a nova disciplina inclui visitas a memoriais comunistas e exibições de vídeos com temáticas como “Promovendo a Prosperidade e o Desenvolvimento da Cultura Socialista com Características Chinesas”. O curso não estava listado no sistema de matrícula da universidade e, de acordo com um porta-voz da NYU-Shanghai, é obrigatório apenas para estudantes chineses frequentando a instituição. Em um cenário em que Pequim pressiona por mais controle sobre atividades de universidades estrangeiras no país, a revelação, contudo, não surpreende.


Segurança alimentar é uma das questões mais urgentes da China contemporânea. Garantir, afinal, uma oferta estável de comida a uma população de quase 1,4 bilhão de pessoas de crescente poder aquisitivo não é uma tarefa fácil. A aposta da vez para saciar a demanda chinesa por alimentos são as proteínas de base vegetal de nova geração, recentemente popularizadas no Ocidente por empresas como a Impossible Burger e a Beyond Meat. Já introduzidas ao mercado de metrópoles como Pequim e Xangai, as perspectivas de sucesso das “carnes falsas” em um país que só consegue produzir ¼ da carne que consome são expressivas. Converter os chineses de hoje ao veganismo será difícil — mas, com os incentivos corretos, talvez o flexitarianismo possa florescer no país.


Chengdu é potência, é a subcultura chinesa em sua maior efervescência. Capital da província de Sichuan, Chengdu é muito mais do que a metrópole dos pandas ou das comidas apimentadas: talvez pela distância de Pequim, a cidade parece experimentar mais liberdades e ousar mais na noite. Acompanhe esta ida da agência Tea Haus a um show de drag queen em um dos points mais alternativos da cidade. Além das fotos que transmitem bem o espírito da juventude, há uma série de entrevistas com as drags que se apresentaram na noite e pessoas que estavam lá assistindo.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Podcast: neste episódio do Belt and Road Podcast, o brasileiro Gustavo Oliveira, que trabalha na Universidade da Califórnia, discute sobre os investimentos chineses no agronegócio, e principalmente na soja, do Brasil. Em inglês.

Instagram: vale seguir o fascinante projeto 354films no Instagram, que reúne 354 vídeos curtos de 1 minuto filmados na China — em diferentes cidades. É um vídeo para cada dia do ano e vai juntar um filme para mostrar “Tudo Sob o Céu”, contando diferentes histórias visuais sobre o país.

Hollywood vermelho: Little Red Podcast explorou recentemente o tema da projeção de poder chinês por meio de filmes hollywoodianos. Para atingir o rico mercado chinês e a sua bilheteria imensa (afinal, a população é imensa), Hollywood teve que mudar sua abordagem sobre chineses — dentro e fora das telas.

Um pouco mais acadêmico: o diplomata brasileiro Henrique Choer escreveu um artigo sobre a regulação de dados na China e as lições para serem aprendidas a partir dessa experiência.

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