As bolsas de valores de Xangai e Shenzhen estão fechadas desde o dia 23 de janeiro em razão do Ano Novo lunar. A reabertura das operações financeiras nas duas cidades nesta segunda-feira (03) preocupa analistas: dado os impactos da crise do coronavírus sobre as expectativas dos agentes econômicos ao redor do mundo, muitos temem uma forte depreciação nos valores das ações negociadas nestes centros. Se o mercado financeiro estadunidense serve de indicativo, as perspectivas são ruins: na última sexta-feira (31), um dia após a OMS declarar a epidemia do coronavírus como uma emergência de saúde pública internacional, tantos o índice Dow Jones quanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite registraram quedas significativas.

O governo central chinês não pretende, porém, adiar a reabertura de seus mercados financeiros. Ao contrário, as autoridades, que compartilham as preocupações sobre o impactos do vírus sobre a economia chinesa, planejam iniciativas de política pública para mitigar os impactos da nova crise: em comunicado oficial, o banco central do país anunciou a injeção de 1,2 trilhão de yuans (cerca de 173,8 bilhões de dólares) através de acordos de revenda no momento da reabertura de seus mercados financeiros. Pequim também afirmou que oferecerá, dentre outras medidas, auxílio a empresas de bens essenciais para que estas voltem a suas operações normais o mais rápido possível.


Agricultores e empresários chineses têm desabafado nas redes sociais e para a mídia sobre os problemas causados pelo vírus para as suas produções, seja com manter os salários dos funcionários ou com garantir ração para animais. Alguns pedem que haja isenção de impostos em 2020. Crédito especial está sendo oferecido em algumas regiões, com extensão de prazos de pagamentos e juros reduzidos.


A China fretou três aviões para trazer de volta residentes de Hubei que estão fora do país. Ao todo, 310 cidadãos chineses que estavam viajando na Tailândia, Malásia e Japão retornaram à província que ficou conhecida internacionalmente como o epicentro do novo coronavírus (2019-nCov). A medida vem em resposta aos inúmeros cancelamentos de voos ao país desde o agravamento da epidemia. Casos de xenofobia contra chineses estão se tornando comuns em diversos países.


No aniversário de 50 anos do Fórum de Davos (que rolou em final de janeiro), vale relembrar momentos importantes da participação da China nele. A memória mais marcante dos últimos anos foi certamente o popular discurso de Xi Jinping em 2017, após a eleição de Trump, em defesa do multilateralismo. Mas China e Davos já tem uma história antiga, datando de 1979. Passaram por lá figuras importantes que fizeram discursos de peso. Foi uma janela para a ascensão de grandes empresas e empresários chineses e um espaço de fortalecimento da imagem da China como defensora do meio ambiente no século XXI.

coronavírus acaba de fazer sua primeira vítima fatal fora da China continental – um chinês de 44 anos originário de Wuhan não resistiu às complicações decorrentes da infecção pelo vírus e faleceu nas Filipinas. A esposa da vítima também está infectada e em isolamento em um hospital em Manila, capital do país. No total, a epidemia já atingiu mais de 160 pessoas em 26 países ou territórios fora da China continental. Em resposta, um número crescente de países vem estabelecendo barreiras à entrada de chineses ou estrangeiros que transitaram pelo país durante as últimas semanas. No Brasil, o número de casos suspeitos é de 16 — e outros 10 já foram descartados. São Paulo lidera o ranking de ocorrências, com 8, seguido por Rio Grande do Sul, com 4, e Santa Catarina, com 2.


Por falar em Brasil, um grupo de brasileiros protocolou uma carta e um vídeo endereçados ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, pedindo a evacuação imediata da China. Residentes da cidade de Wuhan, epicentro do novo coronavírus (2019-nCov) no país, apontam que diversos países já adotaram medidas semelhantes, como Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Portugal, França e Japão. Ademais,o grupo pontua a obrigação do Estado brasileiro em oferecer ajuda humanitária conforme estabelecido em tratados internacionais, conforme o Pacto de São José da Costa Rica e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O grupo havia declarado plena disposição em passar por um período de quarentena ao regressarem ao Brasil, mas Bolsonaro defendeu que a evacuação traria altos custos para os cofres públicos e que não há qualquer aparato legal garantindo o período em quarentena. O governo chinês tem se colocado à disposição para a repatriação de estrangeiros residentes na China. A discussão incitou uma ótima reflexão elaborada por Mariana Yante, pesquisadora da UFPE e da Universidade Xangai Jiao Tong. Confira aqui. No domingo à noite, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa do Brasil anunciaram que irão repatriar os brasileiros em questão e demais que estejam em Wuhan e queiram voltar.


O bloco europeu abriu caminho para a atuação da Huawei na construção da rede 5G no continente. Sob pressão dos EUA e de grupos internos, a União Europeia estava refletindo sobre a ideia de banir a Huawei das redes 5G a serem construídas, por medo de espionagem. Um novo documento deixa em aberto essa questão, permitindo que a empresa atue por lá, mas não com controle total, exigindo também auditorias constantes. O Reino Unido, que agora oficialmente concluiu o Brexit, liberou que a Huawei faça parte da construção das redes 5G no país. Falando nisso, a Konrad-Adenauer Stiftung publicou um relatório sobre Inteligência Artificial, 5G e a balança de poder mundial.

Conforme se espalha pela China, o coronavírus chega a alguns dos lugares mais isolados do país. Xinjiang, ponto de tensões políticas diversas e casa dos controversos “centros de reeducação” de muçulmanos da minoria uigur, não é exceção: já são vários os casos de infecção pelo novo vírus na província. Apesar de ainda não haver registro de contaminações nos tais centros, analistas argumentam que, caso o vírus chegue até as instalações, os resultados seriam desastrosos. “Falta de espaço, falta de higiene, frio, sistema imunológico fragilizado — isso pode ser um grande desastre”, afirma o professor James Millward, da Universidade de Georgetown.


Como se a epidemia do novo coronavírus já não fosse preocupante o suficiente, a província de Hunan, que faz fronteira com Hubei, anunciou o surto de mais um vírus, o H5N1 (gripe aviária). Uma fazenda na cidade de Shaoyang relatou a morte de 57% de seu galinheiro até o presente momento. Até o envio desta edição, não há casos registrados entre seres humanos.


Saiu a versão traduzida do relatório de tendências do Douyin em 2019. Douyin é a versão chinesa do famoso Tik Tok, da também chinesa ByteDance. São ecossistemas diferentes, portanto, focando bastante no consumidor chinês. Foram 400 milhões de usuários diários em média em janeiro. Dá para ter uma ideia do que chamou atenção no ano que passou e da diferença entre um país em que usar o celular é diário para pagar contas, como a China, e outros que não exigem uma interação tão forte.

Por exemplo: vídeos de dança são mais populares entre criadores da geração nascida nos anos 60, já a geração dos anos 2000 prefere assistir vídeos de coisas fofas. Pequim é a cidade com mais criadores de conteúdo e com o maior número de curtidas. Foram feitos quase 15 milhões de vídeos de conteúdo educacional (os mais procurados foram os de culinária).


Carnaval está chegando e adivinha só de onde vem provavelmente a maior parte da sua fantasia? Isso mesmo, da China! Antes dominado por fornecedores mexicanos, desde o início dos anos 2000 o mercado de fantasias brasileiro tem se alimentado mais e mais de produtos importados chineses — como penas de pássaros, glitter e lantejoulas. O valor das transações ultrapassou a casa dos dez milhões de dólares, fazendo da China um dos principais fornecedores de adereços carnavalescos do Brasil.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

O futuro dos dados: a especialista em cibersegurança Samm Sacks participou do podcast do Asia Unbound para discutir o futuro da governança de dados na disputa entre os EUA e a Chia.

Relato: um texto emocionante de um homem contando sobre a morte da sua esposa que contraiu o coronavírus e o impacto que a doença teve na família. Outro relato circulando bastante é o de Guo Jing, uma feminista que recentemente foi morar em Wuhan e está enfrentando a quarentena.

Uma epidemia de slogans: as famosas faixas vermelhas com slogans políticos vistas em qualquer cidade chinesa ganharam novas versões. “发烧不说的人,都是潜伏在人民群众中的阶级敌人” (aqueles que não mencionam estar com febre, são inimigos à espreita entre nós — tradução livre).

Música de Wuhan: um lembrete para os que só associam Wuhan ao coronavírus, aqui vai uma lista para lembrar como essa cidade contribui e muito para a herança musical do país.

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