Quais são os desafios econômicos da China até 2049? A Brookings elaborou um policy brief baseado num novo livro sobre o tema. O documento faz um apanhado geral das políticas da República Popular da China e sugere recomendações para a continuidade do crescimento do país, incluindo: reduzir o número de estatais fora dos setores estratégicos; melhorar o sistema de pensão e aposentadoria (dado o envelhecimento da população); encorajar a inovação com treinamento de capital humano e investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D); realizar reformas fiscais para garantir redistribuição de renda e implementar incentivos fiscais para ações sustentáveis; regulamentar o sistema financeiro; e utilizar inteligência artificial para diversificar o portfólio. Acelerar a urbanização e garantir mais proteção aos fazendeiros, bem como maior abertura de mercados, também entraram na lista.


Li Wenliang, um médico famoso por ser um dos primeiros a alertar a polícia de Wuhan sobre o surgimento de um novo vírus, faleceu na madrugada de quinta-feira (6) — e ganhou um certo status de mártir. Li estava tratando pacientes que haviam contraído o 2019-nCov no Hospital Central de Wuhan, até ele próprio contrair o vírus. À época em que relatou o aparecimento de um novo tipo de doença respiratória muito semelhante à SARS, Li foi duramente reprimido pela polícia local.

A cobertura sobre a morte de Li foi censurada, o que enfureceu ainda mais os internautas chineses. Em resposta, milhões começaram a usar as hashtags #你能做到吗?你听明白了吗# (#vocêécapazvocêentende, em tradução livre) em referência ao questionário que Li teve que responder na delegacia. Outros optaram por #我们要言论自由# e #我们要求言论自由# — #queremosliberdadedeexpressão e #demandamosliberdadedeexpressão, respectivamente. As hashtags já acumularam mais de 4 milhões de visualizações.


A China está passando pelo que está sendo chamada de a “maior experiência da história” em trabalho remoto. O 2019-nCov colocou em movimento a necessidade de empresas testarem que boa parte das suas forças de trabalho estejam conectadas somente pela internet e não no mesmo escritório. Tencent, JD.com, Huawei e outras, inclusive universidades, usaram serviços diversos para conferência em vídeo — empresas como a Zoom e o próprio WeChat relataram sistemas sobrecarregados. Começaram a surgir dicas sobre eficiência e diversas pessoas compartilharam suas experiências nas redes.

Conforme a crise do novo coronavírus se estende, aumentam também as preocupações quanto às implicações econômicas da epidemia. Por um lado, os impactos na China são evidentes. Por outro, os estragos devem também ultrapassar as fronteiras do país asiático. Atualmente, a China corresponde a 16% da produção econômica mundial. De carros e artigos de luxo a commodities como cobre e soja, a oferta e a demanda chinesas por uma infinidade de produtos e serviços são peças fundamentais ao bom funcionamento da economia internacional. O temor entre analistas é de que o cenário leve a deslocamentos severos de mercado. Para Mohamed El-Erian, consultor econômico da Allianz, caso o vírus não seja contido, seus impactos se espalharão mais, inclusive internacionalmente, “interrompendo o comércio, as cadeias de distribuição e o movimento de pessoas.”


Enquanto alguns países e companhias aéreas impõem restrições de viagem à China, há quem esteja cumprindo agendas oficiais no país. Foi o caso do primeiro ministro do Camboja, Hun Sen. Inicialmente, Hun havia solicitado que a visita oficial ocorresse na cidade de Wuhan. O pedido vinha em resposta ao crescente criticismo que o primeiro ministro vinha enfrentando após negar a evacuação de cidadãos cambojanos do epicentro do vírus 2019-nCoV. A visita, entretanto, deu-se em Pequim. Hun foi enfático no apoio à China. Até demais.


Em uma postura ousada, o governo da Tailândia decidiu não colocar em prática um plano liderado pela China para dragar uma parte do rio Mekong. O plano, pensado em 2001, ambicionava dar maior espaço para navios maiores no Mekong, um dos rios mais importantes da Ásia. Há anos, ambientalistas e governos já estão cientes da degradação ambiental do rio e parece ter sido esse o principal motivo do governo tailandês, que viu muito ônus e pouco bônus no negócio. O processo segue nos vizinhos Laos e Mianmar. Para um bom apanhado da história do Mekong com a China, recomendamos esse episódio do The Belt and Road Podcast com Brian Eyler sobre seu novo livro (Last Days of the Might Mekong).

As ocorrências de fatalidades geradas pela epidemia do novo coronavírus seguem em ascensão: já são mais de 800 mortos. No sábado, foi registrada a primeira morte de um estrangeiro pelo vírus. De acordo com a embaixada dos Estados Unidos na China, um estadunidense de 60 anos contaminado pela doença faleceu em um hospital em Wuhan. A maior parte das vítimas fatais, porém, segue sendo de chineses residentes da China continental. Vale notar que, de acordo com os números mais recentes, a crise do 2019-nCov já supera, em termos de mortalidade, a epidemia da SARS em 2003 (que fez 774 vítimas fatais). Ao contrário da SARS, porém, o novo coronavírus segue altamente concentrado na localidade de seu epicentro — neste caso, a província de Hubei.


A equipe do Chinese Storytellers compilou e traduziu diversos relatórios da mídia chinesa durante a cobertura do 2019-nCov. Foi um trabalho e tanto, que pode ser conferido aqui. São 36 páginas de links, e aqui tem a lista dos que estão sendo ou já foram traduzidos. Para um bom apanhado do que saiu na mídia chinesa, vale conferir a postagem do ótimo blog Chublic Opinion.


Nem só seres humanos foram atingidos pela epidemia: estigmatizados como origem do novo coronavírus e separados de seus donos devido a interdições, animais de estimação encontram-se em situação de abandono ao redor do país. Em Wuhan, um grupo se organiza para rondar a cidade e resgatar animais deixados intencionalmente ou não para trás. Até agora, mais de 400 já foram resgatados — em sua maioria gatos. A magnitude da emergência excede em muito a capacidade dos voluntários. O ativista Du Fan, da Associação de Proteção de Pequenos Animais de Wuhan, afirma, porém, que a ONG pretende seguir resgatando animais até que a cidade não esteja mais sob quarentena.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

Podcast: em tempos de fortalecimento das redes de apoio via caridade por causa do 2019-nCov, vale resgatar esse episódio do Sinica, de novembro de 2019, sobre filantropia na China e a atuação de ONGs num espaço altamente regulado.

O caminho até aqui: quatro gráficos que demonstram a propagação do novo coronavírus desde o início do surto no fim de 2019 até agora.

Programação: a primeira linguagem de programação feita com mandarim clássico já existe, é a wenyan-lang. Já foi usada até para criar um programa de adivinhação baseado no I-Ching.

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