No mundo mágico dos aplicativos chineses, número de usuários não é tudo. Basta ver a atual situação do 小红书 (Little Red Book — RED, em inglês). Uma vez estrelando a lista dos aplicativos mais baixados do país, o app de e-commerce focado em produtos de beleza tem tido dificuldades em traduzir seus milhões de usuários em lucro para a plataforma. Isso porque fazer dinheiro com produção de conteúdo é um mercado extremamente monopolizado e difícil na China.

Quem faz, normalmente está sob a sombra das gigantes de tecnologia Alibaba, Tencent, Bytedance e, mais recentemente, Kuaishou. Para os pequenos (ou não tão pequenos assim, como o RED), o modelo de negócios ainda está em uma fase Frankenstein de anúncios-monetização de influencers-loja física-cross border e-commerceNada parece ter colado até agora.


O dia 26 de dezembro marca mais do que a ressaca do Natal: é também o aniversário de uma das figuras mais importantes e controversas da história chinesa contemporânea, Mao Zedong. Se ao redor do mundo, porém, líderes como George Washington e Mahatma Gandhi são celebrados através de feriados nacionais, a comemoração do nascimento de Mao na China costuma ocorrer somente de maneiras não-oficiais.

Neste ano, a cidade natal do fundador da República Popular, Shaoshan, foi tomada por grupos que se reuniram e prestaram homenagens espontâneas ao redor de estátuas e da antiga residência de Mao. Em Pequim, porém, silêncio. Na capital, seu legado é questionado até mesmo por figuras importantes do governo central. Em 2013, por exemplo, durante o início de seu primeiro mandato a frente do país, Xi Jinping lembrou que líderes revolucionário são humanos e não deuses e que Mao cometeu erros.


As 10 frases mais populares na China em 2019 dizem muito sobre o que foi o ano e quais são as tendências que vêm por aí na sociedade chinesa. Foram frases motivacionais sobre ser dono do seu próprio destino (já falamos aqui da animação Ne Zha), sobre trabalhar das 9 às 9 durante 6 dias da semana, sobre se sentir perdido e frustrado, sobre aprender a separar o lixo (já falamos também) e a dirigir com segurança. Mas você se engana se acha que foi só uma lista de frases populares: o Centro Nacional de Pesquisa e Monitoramento do Idioma Chinês divulgou uma com mais rigor acadêmico — e que foi criticada por netizens por ser pouco representativa das discussões reais. Porém, importante ver também, pelo significado que tem para decifrar interesses do governo: incluiu a questão de economia noturna, 5G, pressão dos EUA, (pouca) responsividade do governo, marcas locais, e foco em servir o cidadão.

O embaixador chinês na Alemanha prometeu retaliações caso Berlim decida excluir a Huawei como potencial fornecedora de equipamentos para instalação de infraestrutura 5G no país. Citando as vendas expressivas de empresas automobilísticas alemãs na China, Wu Ken declarou que banir a Huawei de seu mercado resultará em importantes consequências à nação europeia. “O governo chinês não assistirá a isso parado”, completou. A resposta se dá em meio à crescente resistência à empresa chinesa na Alemanha. Ainda neste mês, um grupo de parlamentares da coalizão governista de Angela Merkel redigiu um projeto de lei que estipula que as autoridades locais excluam fornecedores “não confiáveis” de equipamentos 5G, dentre eles Huawei, até mesmo das redes periféricas do país.


A China acaba de iniciar seu primeiro exercício naval conjunto com Rússia e Irã, executado em partes do Oceano Índico e do Golfo de Omã. Para o contra-almirante iraniano Gholamreza Tahani, a atividade representa uma mensagem de paz, amizade e segurança duradoura por meio da cooperação internacional. A iniciativa, porém, se dá em tempos de tensão entre a nação do Oriente Médio e os Estados Unidos — as relações entre os dois países se vêem abaladas após a administração Trump retirar Washington do tratado nuclear com o Irã em maio do ano passado.


É aquela época do ano para retrospectivas. A Foreign Policy publicou como foi o ano da República Popular da China em 10 gráficos: tem gráfico do tamanho dos protestos em Hong Kong até balança comercial com a Índia, passando obviamente pela guerra comercial com os EUA. Rolou também um apanhado de como foi o ano da China na ONU focando nos investimentos do país e como isso anda influenciando como o país se insere no multilateralismo, no último episódio do podcast UN-Scripted.

Na edição da semana passada da Shūmiàn, nós comentamos sobre a sugestão analisada pela Comissão de Assuntos Legislativos do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo (法制工作委员会,  NPCSC em inglês) de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nos últimos dias, a NPCSC analisou e aprovou a abolição do controverso sistema de Custódia e Educação (收容教育, C&E em inglês) um tipo de penalidade voltado para pessoas envolvidas com prostituição no país. A C&E previa educação e trabalhos forçados de 6 meses a 2 anos em centros supervisionados pela polícia para pessoas que trabalhem com ou sejam pegas solicitando prostituição, sem haver qualquer julgamento no processo.

A C&E era criticada por especialistas chineses pelo frágil embasamento no Estado de Direito, ausência de proteção aos direitos humanos e pouca eficácia em combater a atividade no país. Foi dentro do escopo jurídico da C&E que Simon Cheng, então funcionário do Consulado Britânico em Hong Kong, foi detido pela polícia em Shenzhen por ter alegadamente contratado uma prostituta durante uma viagem a negócios.


O governo central da China anunciou que cancelará o sistema de hukou — um registro de local de nascimento que controla migrações internas no país e limita acesso a serviços públicos locais — em cidades com menos de 3 milhões de habitantes. O plano, que já havia sido anunciado em abril deste ano, faz parte de um esforço por parte de Pequim para aliviar o problema de superlotação em vários dos grandes centros urbanos chineses. Ademais, restrições para obtenção de autorização de residência permanente nas maiores cidades chinesas também devem ser aliviadas.

Interessado(a) pelo assunto? Confira, então, uma entrevista de Fei-ling Wang, professor da Georgia Institute of Technology e autor de Organizing Through Division and Exclusion: China’s Hukou System (Organizando-se Através da Divisão e Exclusão: O Sistema Hukou da China, em tradução nossa), sobre o sistema hukou ao The Diplomat.


Os netizens chineses estão indignados. Educação para meninas nas zonas rurais são um problema no mundo inteiro (tem até uma iniciativa da ONU sobre isso). Na China, com as suas históricas dificuldades de levar educação ao campo e preferência por filhos do sexo masculino, o desafio é reconhecido pelo governo — que se comprometeu com melhorar o acesso. Quase 2 milhões de meninas chinesas no campo abandonam a escola antes de chegar à 6ª série. Agora, um programa de apoio à educação rural para meninas, criado em 1989, se envolveu numa polêmica.

O programa Spring Buds, criado pelo CCTF (Fundo para Crianças e Adolescentes da China), já recebeu prêmios pelas suas iniciativas contra a disparidade de gênero, mas essa semana veio à tona que dos 1.267 estudantes apoiados pelo programa, 453 são meninos. O CCTF afirma que neste ano, resolveram oferecer auxílio urgente para estudantes do sexo masculino que estavam em situação de miséria, mas que errou ao não ser transparente sobre essa decisão.

Zheng He foi um grande explorador chinês do século XV. Sob seu comando, o império da China chegou a praticamente todos os cantos do mundo. Esta seção é inspirada nele e te convida a explorar ainda mais a China.

O céu é o limite: Ray Koo usa drones e sobe em telhados precários para te fazer sonhar acordado com incríveis fotos aéreas de Xangai, sua cidade natal.

Uma década de música boa: chegou a hora das tão esperadas retrospectivas! Que tal inaugurar 2020 com um pouco de nostalgia do que você (provavelmente) nunca ouviu? Aqui vai uma lista das bandas chinesas mais badaladas de 2010 até hoje.

Para além do Alibaba: conheça a história de Olivia Nadine, fundadora do primeiro mercado físico — e futuramente digital — especialmente dedicado às necessidades da comunidade negra na China.

Drama: para quem gosta de histórias de falsificação, socialites e pessoas que fingem ser ricas, vale se inteirar do dramalhão envolvendo a carismática vigarista Azura Luna Mangunhardjono. Ela dizia ser uma riquíssima princesa da Indonésia que residia em Hong Kong, mas o que ela fazia mesmo era enganar milionários na cidade.

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